NEOARQUEO
17 junho 2006
  Eis a Orca dos Padroes...
Bem, e a pedido de vários amigos leitores apresento hoje a Orca dos Padrões, na Freguesia de Cunha Baixa. Trata-se de um monumento megalítico que foi recuperado em finais da década de 90, pela ArqueoHoje dos meus colegas e amigos Luís Filipe Gomes e Pedro Sobral de Carvalho. Esta recuperação teve o apoio da C M Mangualde e dos organismos habitualmente envolvidos: IPPAR. Este Dolmen já nos finais do século XIX tinha sido referenciado e explorado por Leite de Vasconcellos. O espólio recolhido na altura foi duas lâminas de sílex, um machado, um seixo rolado e alguns pequenos fragmentos de cerâmica. Mais tarde, Irisalva Moita refere-o e desenha uma nova planta. Mais recentemente, outros autores se debruçaram sobre os materiais exumados da anta e teorizaram sobre ele. O interessante deste Dolmen é, para além do mais, o facto de se inserir num contexto arqueológico megalítico, isto é, na mesma micro-região do Mondego, onde aparecem outros: Orca da Cunha Baixa; Orca dos Braçais (Outeiro de Espinho), Orca de Gandufe (Gandufe), Orca de Alcafache, anta da Senhora do Castelo, provavelmente no sítio denominado Tojal d'anta, e não muito longe dos Padrões a Orca dos Amiais, em Vila Ruiva, Nelas. Outros monumentos megalíticos no actual concelho de Nelas populavam. A Orca dos Padrões é, tipologicamente, um monumento de câmara poligonal alongada, tendencialmente rectangular, de nove esteios e corredor médio, bem diferenciado. Analisando os materiais pressupõe-se uma primeira fase de ocupação funerária na transição do IV para o III milénio a.C.. Terá tido também reutilizações posteriores, nomeadamente durante o Calcolítico Final/Bronze inicial. Em 1985, quando eu e Luís Filipe Gomes fazíamos o Levantamento Arqueológico do Concelho de Mangualde vimo-nos e desejámo-nos para detectar este dólmen. Quando numa das várias batidas de campo por fim o localizámos a alegria foi tanta que nos abraçámos um ao outro pulando como crianças. Aliás, eu na altura fumava e nessa manifestação de alegria queimei-me num dedo duma forma deveras intensa. Mas valeu a pena, tal como valeu bem a pena a recuperação deste Dolmen. A título de curiosidade: a Orca dos Padrões pertence administrativamente à freguesia de Cunha Baixa, mas fica nas imediações da aldeia de Vila Nova de Espinho. Quem quiser visitar aproveite, fica junto a uma das vinhas da Quinta dos Carvalhais, da Sogrape.
 
06 junho 2006
  Paisagem...rural


O calor está apertar...fala-se muito do aquecimento global do planeta. Em boa verdade, nós pouco ou nada fazemos para que esta situação se altere. Se calhar pouco podemos fazer...
Ao longo da História a evolução da paisagem foi-se sempre alterando. No ínicio, e estou a referir-me à milhões de anos atrás, os vulcões eram frequentes, e transformavam a face da terra, depois vieram as glaciações, depois...Mas...depois de aparecer o homem, e sobretudo o Homo Sapiens...foi ver a rápida e galopante transformação da paisagem da Terra. Num ápice o Homem conseguiu modificar, alterar, criar novos espaços. Espaços totalmente adaptados às suas necessidades. É de facto espantoso o rosto que ao longo da História o Planeta Terra foi adquirindo.
Hoje mostro-vos um pequeno riacho da minha aldeia: a Ribeira da Regada. Nasce perto, na freguesia de Mesquitela e vai engrossar, logo abaixo, o Mondego. As suas águas serviram e servem para tornar férteis os campos de Abrunhosa do Mato, permitindo assim a constância do povoamento que, a avaliar pelos testemunhos arqueológicos existentes, já por aqui se mantém desde a pré-história.
 
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António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


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