NEOARQUEO
23 junho 2009
  Ponte do Mondego servia de TRAVESSIA DE DEFUNTOS de Girabolhos para Senhorim...
O que faz a História...
Desde que iniciei os trabalhos de georeferenciação do Património Arqueológico, Arquitectónico e Etnográfico ao longo de alguns troços do Mondego, que algumas histórias interessantes têm começado a surgir.
Nos anteriores posts referi, para a zona de Abrunhosa do Mato, a existência das ruínas do Moinho do Caldeirão, uma ruína a uma cota ligeiramente superior e que servia para arrumos e para guardar os animais (burros) que carregavam os cereais e a farinha já moída. Referi a existência da ponte ainda hoje visível, os vestígios da ponte que já não existe, a placa de cimento que indica a altura das àguas das cheias de Janeiro de 1962...A placa que permite apenas a passagem a peões e com uma carga máxima de 200 Kilos, bem como a existência das galerias duma margem e da outra do rio.
Pois bem, fiquei de vos dizer algumas coisas que, com esses trabalhos, teimei em pôr a descoberto, Ora aqui vai:
1-Os trabalhos de prospeção e de preparativos para o primeiro projecto da Barragem iniciaram-se nos dois últimnos anos da década de 50. Consitiram, inicialmente na construção e colocação de pequenos pontos, em cimento, para se tirarem cotas.
2-As galerias existentes numa margem e na outra começaram a ser construídas na mesma altura, inseridas nos trabalhos de prospecção geológica e dos preparativos para o primeiro projecto da barragem.
3- A ponte visível foi construída na mesma altura para permitir que os trabalhadores pudessem passar, com segurança de uma margem para a outra, para a continuação dos trabalhos.
4-A ponte de que só existem os vestígios nas lajes graníticas em ambas as margens, mas mais insistentes na margem direita, é muito antiga.
tal como eu apontei, ela servia para os habitantes de Girabolhos virem aos moinhos do lado direito, servia também como ponto de passagem natural entre as duas margens, ligando-se assim as aldeias Abrunhosa do Mato e Girabolhos, bem como todas as outras aldeias duma e doutra margens...
Porém, questionando os mais velhos, vim a saber algo extraordinário:
A ponte servia para a travessia dos DEFUNTOS de Girabolhos para serem sepultados no cemitério de SENHORIM (aldeia de Igreja)...
Pois é...
Na aldeia de Senhorim as fontes orais também referem a mesma coisa: o facto de virem defuntos de Girabolhos para ali, bem como a travessia se fazer na ponte entre Girabolhos e Abrunhosa do Mato.
Neste momento ainda não estou em condições de dizer a razão por que isso se verificava...
Terei que passar algum tempo nos arquivos a vasculhar as Memórias Paroquiais para saber.

Quando tiver mais pormenores contar-vos-ei. As fotos dos elementos de que falo são as do slide-show do post "um passeio pelo velho Munda" . Mais adiante publicarei outras fotos.
 
17 junho 2009
  PLACA de CIMENTO do Mondego

No Post publicado abaixo, com o título UM Passeio ao Velho MUNDA, a certa altura faço referência a uma placa de cimento, que existe em ambas as margens, junto ao que resta do pontão com arranques em cimento, e que contém uma inscrição e uma data. A leitura no dia foi difícil.
Entretanto tive que lá voltar para colher novos elementos para os trabalhos, e procedi novamente à leitura da placa. Após análise verifiquei o que lá estava escrito: "Al (r) DA CHEIA DE 2 1 1962". Ora bem isto quer dizer:
ALTURA DA CHEIA DE 2 1 1962.
Na realidade o Mondego em Janeiro de 1962 teve umas cheias enormes, tendo-se feito sentir com maior intensidade no baixo Mondego, junto a Coimbra.
Bem, mas aqui na Abrunhosa o acontecimento não passou despercebido, pois deve ter destruído o pontão que referi no mesmo Post (a uma quota 5 metros mais abaixo).
Estas cheias devem também ter sido as que o "Rodelas" referia que lhe estragaram os moinhos, mas estes eram tão bons tão bons que foram sempre a trabalhar até Coimbra...
Esta placa atestará certamente o ponto de altitude a que as àguas chegaram.
Neste momento pesquiso se terão sido estas cheias que terão destruído o pontão inicial ( ao nível 5 m abaixo), presumo que sim...
Pesquiso se foram estas cheias que destruiram o moinho do Caldeirão...
Pesquiso também se o mesmo pontão ainda serviu os trabalhadores das sondagens para a Barragem, uma vez que a função inicial dele era o de permitir a travessia das pessoas (sobretudo de Girabolhos e alguns abrunhosenses que viviam nos terrenos agrícolas de sucalco ali perto) para utilizarem os serviços do moinho.
Pesquiso se o pontão antigo já teria sido destruído antes das cheias de 1962 e se o pontão "actual" (para servir os trabalhadores das sondagens) já existia na altura das mesmas cheias...
As informações orais já estão a ser recolhidas e cruzadas. Quando houver pormenores publicá-los-ei.
Voltando à carga dos moinhos do "Rodelas" , e fazendo fé nesses relatos, uma coisa é certa: as cheias de 1962 terão destruído certamente os inúmeros moinhos que ao longo do rio existiam...
Aqui na Abrunhosa do Mato, os "Ferreiras" deverão ter ficado na altura sem parte do seu património de molinagem...
Uma interessante história para contar aos Abrunhosenses que não viveram esses tempos...
 
14 junho 2009
  Abrunhosa do Mato (através dos Tempos)


Em resposta à minha amiga e conterrânea Beta Ferreira:
Questionava-me ela se a Quinta dos Currais não seria enterior à "fundação" da Abrunhosa do Mato. Preparei, à luz dos meus conhecimentos, a seguinte resposta:

Em termos de antiguidade podemos apontar ocupação humana no actual território que hoje faz parte da Abrunosa do Mato desde os tempo pré-históricos.
Sem poder utilizar o rigor científico que seria necessário para a datação em absoluto deste nível de ocupação, tenho apenas que me cingir à datação relativa e a partir de materiais descontextualizados.
Ora bem, nos finais da década do 80 do século XX, o sr. José Fernando Almeida Abrantes (Jeff) procedeu a obras nos baixos de uma casa que todos nós na Abrunhosa conhecemos por "Cantinho". Na remoção de entulhos e no aprofundar dos terrenos para os alicereces da casa, foram encontrados alguns materiais líticos, polídos, que eu atribui ao perído pré-histótrico. Conatactei o meu colega Luís Filipe Coutinho e ambos procedemos à visita ao local e já nada se pôde encontrar que estratigraficamente pudesse esclarecer alguma coisa. Sabemos, todavia que tais materiais não estavam associados a quaisquer outros vestígios.
Os materiais, na posse do descobridor são: 1 machado de pedra polida, em anfibolito com forma sub-rectangualr, faces plano-Côncava e convexa, bordos e eixos convergentes convexos, talão truncado, fio de gume convexo assimétrico e perfil convexo simétrico, secção rectangular, polimento intenso junto ao gume. Este artefacto, inicialmete foi-me apresentado pelo Jeff como proveniente de terrenos do Pessegueiro, tendo vindo à superfície com uma "cavadela de enchada", na transição da Abrunhosa do Mato e da Cunha Baixa. Porém, mais tarde, o Jeff refere-me que saiu do tal sítio da Abrunhos do Mato, e que a primeira informação não era correcta.
Mas outros objectos ali forma encontrados:
2-Lâmina de Enxada (?) com dois gumes, em granito e cujas características descritivas me escuso neste local a explicitar.
3-Fragmento de instrumento de pedra polida, em anfibolito.
4-Percutor em quartito com vestígios de percussão.
5-Percutor em granito com vestígios de percussão.
6-Percutor em quartzito com vestígios de percussão e um orifício que o travessa. Este percutors tinham funçao de martelos ou trituradores.
7-Objecto não definido, em granito.
9-Objecto em quartzito, forma cilíndrica e secção oval. Não sei se terá vestígios de uso humano.
10-Objecto bem polido, em anfibolito, que não apresenta vestígios de uso humano.
11-Objecto em granito, forma cilindrica, em maus estado de conservação, tendo desaparecido grande parte do seu polimento.
Bem, resta dizer que estes materiais foram posteriormenet mandados analisar pelo Dr Luís Manuel Fernandes Simões do Museu Minerológico e Geológico da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Importa referir que os materiais em granito, exceptuando uma das peças, são de granito equigranular fino de duas micas, comum na região de Cunha Baixa e Abrunhosa do Mato.
O meu colega Luís Filipe Gomes, adiantou, numa sua publicação, uma interpretação histórica para os artefactos, dizendo que quanto às enxós, machados e percutores não existem dúvidas quanto à sua funcionalidade, mas não podendo afirmar o mesmo para os objectos cilíndricos polidos, pois não apresentam qualquer vestígio de uso, nem qualquer gume que os tornassem úteis à vida das pessoas. Considera, assim, que poderão ser objectos votivos. Almagro Gorbea, numa publicação de 1973, refere a existência de elementos, denominados por "Ídolos Bétilos", simples, sem decoraçãoe que foram encontrados em monumentos megalíticos do Sudeste da Península Ibérica (Região de Almeria e da Estrenadura Portuguesa). Eram objectos sagrados dedicados ao culto de divindades, cujo significado é difícil de definir.
Bem, existem algumas semelhanças entre estes objectos e os de Abrunhosa do Mato, conforme a interpretação de Luís Filipe Gomes e Pedro Sobral.
Estes aqrueólogos da nossa praça colocam a hipótes de este tipo de espólio poretencer a um monumento funerário desaparecido ou a um eventual habitat pré-histórico.
Avançando no tempo temos a romanização da Abrunhosa do Mato.
Efectivamente, no lugar de Oliveirinhas (junto aos Carregais e Lameiras)em 1983 descobri vestígios de ocupação romana. Muita cerâmica de cobertura (telhas) típicas dos romanos, cerâmica comun e mesmo um pedaço de Terra Sigilata (cerâmica de ir á mesa, equiparada à nossa actual porcelana), um pedaço de mó romana, uma soleira de porta em granito,e um artefacto em bronze. estas descobertas foram depois vistas e fotogarfadas por mim e pelo Alexandre Rodrigues, e registadas com a consequente visita do LFG aquando do nosso Levantamento Arqueológico do Concelho.
Bem, esta estação atesta a romanidade do território actual de Abrunhosa do Mato.
Não muito longe, na tapada do portinho, existem duas cabeceiras de sepultura, que em estudo realizado por mim as atribuo à idade média, pese embora a sua tipologia não encaixe com perfeição na tipologia conhecida para a época. Estas cabeceiras de sepultura medievais estão junto ao caminho que apresenta um lageado, que não podendo garantir a sua romanidade, pode ter sido originado na Idade Mèdia. Temos outros elementos arqueológicos que atestam a medievalidade do território de Abrunhosa do Mato: Carvalha Gorda. Aqui encontra-se uma sepultura escavada na rocha, a qual se encontra estudada e devidamente publicada em revistas da especialidade e nos meus livros a isso dedicados.
Juntando ao Património Arqueológico as fontes históricas temos a referência de Abrunhosa do Mato nas Inquirições de 1258 (Século XIII) onde vem citado o nome da localidade "Brunosa" e das terras que aqui existiam, que davam colecta e foram testadas ao Mosteiro de Santa Maria de Maceira Dão, por Donnus Guterri e Donna Maria. Falta saber, pois o documento não refere, se este senhor e esta senhora eram naturais e viventes na nossa aldeia. É provável que sim.
Daí para cá não tenho mais elementos nem de origem arqueológica ou arquitectónica que nos fale da nossa aldeia. Está todo um trabalho para ser feito, mas para o qual já iniciei há bastante tempo atrás os trabalho de recolha de informação. Mas, como calculam, é um trabalho moroso e não lhe pego diaraiamente, pois outros valores mais altos se alevantam, como diria Camões.
Quanto aos Currais, pois bem, em nenhuma parte dos documentos históricos até agora consultados há uma referência explícita e, nos mais recentes (das Finanças), nada serve para apontar da antiguidade maior ou menor desse lugar relativamenta à Abrunhosa do Mato.
Resta-me para tal, e já foram realizadas as primeiras démarches, visitar o Laranjal, pois numa fotografia aérea que o Alexandre me enviou nota-se uma configuração algo estranha dentro daquela propriedade.
Pese embora os vestígios arqueológicos (se houver) e de paisagens antigas na àrea dos Currais fique fora dos trabalhos de georeferenciação para o projecto de Estudo de Impacte Ambiental da Hidroelectrica (pois eta área não ficará submersa), eu farei essa prospecção em paralelo. Quando e se houver notícias, cá estarei para as dar.
Beta, sei que fui longo na resposta mas esta serviu também para que os Abrunhosenses cá do Burgo e os outros de quem nunca nos esquecemos (os nossos emigrantes e os viventes pelas Lisboas e Coimbras) pudeseem ter uma visão mais real do que é a Abrunhosa do Mato e donde vem...
 
11 junho 2009
  Um passeio ao Velho MUNDA...

Para comemoração do dia 10 de Junho (Camões, Portugal e Comunidades) eu e o António Joaquim decidimos ir ao "velho" Mondego e experimentar, a pé, o novo acesso aberto pelas equipes de técnicos da barragem. Bem, munidos de boa vontade, lá fomos.
Ao chegar ao primeiro túnel para os espigões do paredão (penso que é assim que se chama) demos de caras com o Luís que vinha lá de baixo, de ao pé da água. Entrou connosco no túnel, que estava com uma temperatura extraordinariamente refrescante para o calor que se fazia cá fora ( e que até nem era muito, mas...).
Percorremos um bom bocado de túnel. Depois, descemos definitivamente até ao rio, até à água. Pelos trilhos que hoje estão avivados pelos pescadores fomos até aos morros graníticos que suportaram as pontes (pontões) que por ali já existiram.
Ficámos por alguns momentos a admirar a acalmia das águas e detectámos buracos quadrangulares e outros circulares que serviam a estrutura de um pontão que hoje já não existe. Do outro lado da margem veêm-se também escavações no morro para suportar as traves de madeira que suportavam a ponte. Estamos a falar num nível cuja altura é de 232 metros.
Seguidamente subimos 5 metros para os 237 e alcancámos o pontão que ainda hoje existe, pese embora não tenha nehuma tábua de passagem, rigorasamente por cima do nível do antigo e primitivo pontão. Este pontão, que conserva os cabos de aço só servirá para os mais radicais (diria mesmo, para os militares "comandos" ou "rangers" fazerem treinos de alto risco). Neste nível lá estão os arranques do pontão e as tabuletas (dum lado e do outro das margens) a indicar que apenas as pessoas podiam transitar e a carga só poderia ser de 200 Kg). Ao lado, bem como no memso sítio da outra margem, está uma placa em cimento com uma inscrição que, dadas as dificuldades de acesso, não conseguimos ler com rigor, mas que além do escrito está dadatada de 2-1-1962.
Percorremos o trilho de regresso para ir visitar o velho moinho, completamente em ruínas que ali perto se encontra e que justificava a ponte.
Na realidade aquele investimento feito nos pontões: o primeiro não se sabe a data e que terá sido destruído com alguma cheia, foi substituído e colocado na plataforma 5 metros acima, só existiam e justificavam-se pela actividade de moagem que no lado da Abrunhosa do Mato, ao longo do Mondego sempre se verificou. Aqueles pontões serviam sobretudo para as pessoas de Girabolhos e também da Póvoa da Rainha (mas menos) virem ao lado de cá moer o miho.
A presença de Moinhos ao longo da margem direita do Mondego é uma constante e o mesmo não se verifica no lado esquerdo. A ditar esta realidade estão as características das margens: do lado direito as encostas são mais suaves e as plataformas criadas pelo próprio rio, ao longo dos milhões de anos, permitiu que a instalação de moinhos se verificasse predominantemente deste lado. Do outro lado, as vertentes acabam mais abruptamente na água. As plataformas fluviais não são propícias a construções perto da água.
Claro que estou a referir-me a um percurso que terá cerca de 30 km de extensão ao longo do rio, desde a Abrunhosa do Mato. A montante destes 30 Km não conheço a realidade, logo não posso tirar qualquer tipo de ilações. A jusante de Abrunhosa do Mato (a partir da Quinta da Barca) a situação repete-se. É também frequente apresença de moinhos nas plataformas do lado de Nelas e menos no lado de Seia. Pelo memos até às Caldas da Felgueira. Daí para a frente também desconheço.
Uma outra ilação interessante é a vida ribeirinha que sempre e desde tempos remotos ali se desenvolveu. Não me refiro apenas à "industria" da moagem, mas à agricultura de sucalcos que se pode observar, neste caso nas duas margens. Houve grandes investimentos de tempo, de dinheiro, de trabalho na construção de muros que suportam os sucalcos, de casas, hoje a maioria em ruínas. Hoje o rio separa, nos tempos remotos o rio juntava as pessoas, as comunidades dum lado e do outro das margens.
Foi uma forma de vida que hoje se encontra completamente extinta. Nos últimos 50 a 60 anos as pessoas viraram costas ao Mondego e concentraram os seus esforços agrícolas nos terrenos à volta das aldeias.
O desenvolvimento das Vilas e das cidades, no fundo a Industrialização, os serviços e a emigração para outros países (sempre presente na Abrunhosa do Mato, e noutras aldeias do concelho de Mangualde e também nas aldeias ribeirinhas dos Concelhos de Gouveia e Seia, fizeram com que houvesse um êxodo do Mondego. Isto deu lugar a um completo abandono de todas as actividades agrícolas e de moagem localizadas nos sucalcos do Rio.
Os pinhais, outrora limpos, foram sendo invadidos pela vegetação rasteira. Estava aberto o caminho para a onda de incêndios que sempre assolou (pelo menos nos últimos 30 anos) as duas encostas do Mondego. Hoje as giestas, as silvas e outro tipo de vegetação que cresce com os incêndios invadem por completo aquelas encostas.
A barragem vai encarregar-se do total desaparecimento destas extintas formas de vida. Para a História vão ficando alguns destes registos fotográficos e fílmicos e a memória de paisagens que ainda baila nas nossas cabeças. Para a História ficarão os relatórios dos técnicos que nos estudos de Impacte Ambiental relatarão todas os vestígios das várias formas de vida: humana, animal, vegetal, etc. que se perderão. É o progresso a substituir-se ao antigo progresso. É, em rigor, o Devir Histórico. Irónicamente a Barragem há-de servir para que o velho Mondego junte novamente as pessoas, as comunidades das duas margens, mas desta vez com actividades e por motivos distintos dos de antanho.
 
07 junho 2009
  Procuro fotos e outros documentos
Amigos leitores, este post serve fundamentalmente para vos anunciar que, por razões de trabalhos de investigação, procuro fotos antigas e outros documentos sobre o seguinte:
-Capela de São Cipriano (Abrunhosa do Mato)
- Fotos da Fonte da Bela (Abrunhosa do Mato)
-Fotos de cenas da vida quotidiana: rural (casca de milho, malha do Milho, etc, ) cenas da vida na aldeia, cenas de festas e romarias e outros acontecimentos )
-Fotos da Banda Filarmónica
Do CRDA e das suas diversas actividades, dos diversos "ranchos" folclóricos, etc
O mesmo peço relativamente à Cunha Baixa.
Agradeço a todos os que me possam ajudar, e não hesitem em enviar aquilo que vos pode parecer desinteressante.
Peço também ao Freaky que se poder que envie o slide show que publicou no Abrunhosa do Mato.
Obrigado.
 
03 junho 2009
  Batida de Campo...

No passado dia 2 de Junho foi um daqueles dias cheio...
No caso tratou-se de uma batida de campo ao longo de um dos rios que banham o Concelho de Mangualde.
Os trabalhos, da responsabilidade de uma empresa de Arqueologia, consistem em inventariar e localizar todos os vestígios patrimoniais (arqueológicos e etnográficos) existentes numa determinada área num deteminado território.
O convite para eu colaborar nos trabalhos, ajudando a localizar alguns vestígios arqueológicos referenciados naquela área, foi-me formulado por aquela empresa de arquelogia.
É bem verdade que quando se procura, acha-se. De facto, tentando a localização de umas sepulturas escavadas na rocha, referidas no meu Levantamento Arqueológico (1985) que não conseguimos detectar, pois a vegetação nos impediu, e a minha memória já não conseguiu reconstituir a paisagem de então, levou-nos, neste caso particular à Dra Carla a "topar" com uma sepultura em início de escavação...e, sabe-se lá porquê, abandonada...
Na realidade não se encontram umas, encontram-se outras...
Bastante gratificante para um trabalho deveras cansativo e sob um calor que junto ao rio ainda se fazia notar com mais intensidade...
Estou habituado a fazer batidas de campo, sobretudo com o sentido de procurar vestígios arqueológicos, ou mais recentemente na procura dos trilhos das "vias" romanas. A minha primeira pista é a toponímia e a bibliografia.
Mas, fazer batida de campo, partindo dos mesmos princípios e ter que georeferenciar (com toda a precisão) todos os vestígios arqueológicos e "arquitectónicos" (ou na nomenclatura correcta: etnográficos) numa determinada área, na maior parte das vezes inóspita, difícil de alcançar, com muitos e variados perigos (muitos mesmo) é tarefa ciclópica e de grande rigor e responsabilidade, asseguro-vos.
Foi uma experiência fantástica, sobretudo porque tive o privilégio de ver vestígios e ruínas da ocupação humana, vestígios de formas de vida quotidinana, diria até arcaica, que já se findou e...que sensação estranha a de saber que foi há tão pouco tempo que essa realidade acabou...sim, pois 50 anos não é nada no tempo histórico...
É toda uma realidade sócio-económica e cultural que se esgotou...A vida ribeirinha foi uma realidade até há relativamente pouco tempo, mas hoje em determinadas zonas de portugal extinguiu-se, pura e simplesmente.
Foi um vivência fantástica, pois tive o privilégio de aprender a trabalhar nestes contextos (para mim novos) com uma equipe de excelentes e reputadíssimos arqueólogos.
Deixo-vos algumas fotos fotos para dar a ideia do património existente...
 
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António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


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