NEOARQUEO
22 março 2009
  Por terras de Pinheiro de Tavares
Na Freguesia de São João da Fresta fica a aldeia de Pinheiro de Tavares. O seu território ocupa uma porção da parte norte do concelho de Mangualde. Já fez parte, outrora, do concelho de Tavares. Esta aldeia possui vários testemunhos de ocupação humana muito antigos. Na altura da batida de campo para o Levantamento Arqueológico do Concelho de Mangualde, em 1985, não detectámos vestígios que nos fizessem recuar para tempos pré-históricos. Não quer isto dizer que não os haja, apenas não encontrámos. Porém, os vestígios de ocupação romana são vários e abundantes.
Vou fundamentalmente falar de duas estelas funerárias, epigrafadas. Tal como hoje, a função destes blocos rectangulares, em granito, era serem enterrados na vertical, junto á cabeceira da sepultura, deixando as letras a descoberto para que ficasse assinalado o nome do defunto e de quem mandou erguer o monumento. Antes e agora, nenhuma diferença…
Uma das estelas reza assim:
D(is) M(anibus) S(acrum)/FLAVINA /FLAVI. F(ília). / I(?) DI(?) […] AII / ALVQVI. F(iliae). / M(atri).S(uae).A(nnorum). LX(sexaginta) / F(aciendum) C(uravit)
Traduzindo quer dizer o seguinte: Consagrada aos Deuses Manes. Flavina, filha de Flavo, mandou fazer a sua mãe, …, filha de Alúquio, de sessenta anos.
A outra lápide, que na altura da nossa descoberta estava a servir de ombreira à porta de acesso de um pátio, reza assim:
[…] RVS.TRITIII F(ilius) / ANNORUM / XXX(triginta) [IIT]SVN/VA.MIIARI F(ília) A/NNORUM LXX(septuaginta) / CAINO (sic). TRITIII (filius)/[FRA]TRI.IIT.MA/[TRI] F(aciendum). C(uravit).
(Aqui jazem) …? filho de Tritéu, de trinta anos, e Súnua, filha de Mearo, de setenta anos. Cenão, filho de Tritéu, mandou fazer ao irmão e à mãe.
É possível fazer-se várias leituras com as inscrições acima transcritas. É, portanto, possível chegar-se a outras conclusões. Porém, não é de todo importante, para este artigo, ter-se um elevado grau de preciosismo. Deixemos isso para as revistas da especialidade e para leitores que se dediquem profissionalmente à epigrafia latina.
Por ora interessa apenas referir que em Pinheiro de Tavares estas duas estelas, bem como outros vestígios tipicamente da era romana, atestam a presença da ocupação romana nestas paragens. São peças do património Mangualdense.
Cronologicamente estas estelas datam do século II d. C. Ora, nesta época, remota, as pessoas que aqui morreram aqui viveram previamente, tal como os seus familiares e vizinhos. Onde estão os vestígios das habitações, do quotidiano daquelas gente por terras De Pinheiro de Tavares?
É precisamente nos terrenos denominados por Quintal que poderá estar o povoado, o habitat daqueles “nossos” antepassados. Na realidade, foi à superfície destes terrenos que deparámos com uma substancial quantidade de tegulae (telha plana), Imbrex (telha de meio cano), fragmentos de Dolia (potes de guarda de cereais e outros bens), cerâmica comum, bem como uma base de coluna, em granito, uma pedra cilíndrica que cremos ser um pedaço de fuste de uma coluna. Por tudo isto existem condições para afirmar da antiguidade de Pinheiro de Tavares.
 
05 março 2009
  Aniversário

É verdade, já faz um ano que o meu livro aqui exposto na foto foi publicado. Foi um acontecimento muito importante para mim, como calculam.

O livro continua à venda nos locais habituais: livrarias de Mangualde e café Melro. O stock em alguns casos já foi reposto, o que atesta o interesse dos mangualdenses pelas coisas da sua terra.

E, claro que ainda estou a "dever" alguns exemplares a alguns amigos, pelo que peço desculpa, mas o editor só agora disponibilizou os exemplares para oferta, pois a Gráfica só agora lhos forneceu. Coisas de gráfica e de máquinas e...etc...etc...

Para quando outro livro?

Bem, nunca se sabe se não sairá em breve uma publicação. Nunca se sabe. Depois avisarei.
 
Espaço para reflexões sobre Património Cultural, Arqueologia, Historia e outras ciências sociais. Gestão e Programação do Património Cultural. Não é permitida a reprodução total ou parcial de qualquer conteúdo deste blog sem o prévio consentimento do webmaster.

A minha fotografia
Nome:

António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


Arquivo
Setembro 2005 / Outubro 2005 / Novembro 2005 / Dezembro 2005 / Janeiro 2006 / Fevereiro 2006 / Março 2006 / Abril 2006 / Maio 2006 / Junho 2006 / Julho 2006 / Agosto 2006 / Setembro 2006 / Outubro 2006 / Novembro 2006 / Dezembro 2006 / Janeiro 2007 / Fevereiro 2007 / Março 2007 / Abril 2007 / Maio 2007 / Junho 2007 / Julho 2007 / Setembro 2007 / Outubro 2007 / Novembro 2007 / Fevereiro 2008 / Abril 2008 / Maio 2008 / Setembro 2008 / Outubro 2008 / Novembro 2008 / Dezembro 2008 / Março 2009 / Abril 2009 / Maio 2009 / Junho 2009 / Julho 2009 / Agosto 2009 / Setembro 2009 / Outubro 2009 / Dezembro 2009 / Janeiro 2010 / Abril 2010 / Junho 2010 / Setembro 2010 / Novembro 2010 / Janeiro 2011 / Fevereiro 2011 / Março 2011 / Abril 2011 / Maio 2011 / Junho 2011 / Julho 2011 / Agosto 2011 / Setembro 2011 / Outubro 2011 / Novembro 2011 / Dezembro 2011 / Janeiro 2012 / Abril 2012 / Fevereiro 2013 / Junho 2013 / Abril 2016 /




Site Meter

  • Trio Só Falta a Mãe
  • Memórias de Histórias
  • arte-aberta
  • Rede de Artistas do Arte-Aberta
  • Museu Nacional de Arqueologia
  • Abrunhosa do Mato
  • CRDA
  • Instituto Arqueologia
  • Terreiro
  • O Observatório
  • Domusofia
  • O Mocho
  • ACAB
  • O Grande Livro das Cabras
  • Teoria da conspiração e o dia dia do cidadão
  • O meu cantinho
  • Escola da Abrunhosa
  • O Fornense
  • Um Blog sobre Algodres
  • d'Algodres:história,património e não só!
  • Roda de Pedra
  • Por terras do Rei Wamba
  • Pensar Mangualde
  • BlueShell
  • Olhando da Ribeira
  • Arca da Velha
  • Aqui d'algodres
  • n-assuntos
  • Universidade Sénior Mangualde
  • Rotary Club de Mangualde
  • galeriaaberta
  • Francisco Urbano
  • LONGROIVA
  • Kazuzabar