NEOARQUEO
12 novembro 2005
  Abrunhosa do Mato ROMANA

No lugar designado por Oliveirinha, ao lado direito da estrada municipal que liga Cunha Baixa a Abrunhosa do Mato, distando sensivelmente 600 metros desta localiadade, existe um espaço que terá tido ocupação romana. O terreno situa-se a meia encosta, virado a este, onde as áreas cultivadas alternam com os pinhais. Não são visíveis antigas estruturas, porém à superfície surgiram, e ainda surgem, abundantes fragmentos de cerâmica de construção(tegulae, imbrices, tijoleiras) e também doméstica(fragmento de Dolium). Foi também recolhido à superfície um fragmento de sigillata, tipo hispânica; tipo de cerâmica fina, de ir á mesa. Foi ainda recolhida parte de uma mó manuária em granito (girante), uma soleira de porta, em granito e uma peça em bronze, provavelmente de um freio de cavalo. Os materiais estão à guarda da ACAB (Associação Cultural Azurara da Beira).
Naturalmente, Abrunhosa do Mato teve ocupação romana, conforme prova este sítio. Teve ocupação pré-histórica conforme materiais líticos sobre os quais mais tarde me debruçarei e óbviamente ocupação medieval, não só pelas referencias escritas, como pelas sepulturas escavadas na rocha (Carvalha Gorda, anteriormente publicada). Segue desenho da peça de bronze. Abrunhosa do Mato, uma terra com História.
 
<$Comentários$>:
As coisas que o Sr. Sabe. Deve ser Doutor!
 
Amigo Tavares, tenho acompanhado estes escritos desde o seu início e tenho aprendido bastante sobre a minha terra, não sei se será esta a função de um blog, mas se surgisse aí um espacinho na estrutura deste blog gostaria de saber mais porque o local entre a Cunha e Abrunhosa se chama "Alto da cruz"? terá havido aí alguma Cruz noutros tempos?
Os meus respeitosos cumprimentos e que este "sítio" exista por muito tempo!
 
Também eu deixo o desafio da descodificação de outras "toponímias" como: A fonte Arenosa ou Arnoz? O Campo Redondo ou Compredondo? e outras que por cá se ouvem. Parabéns,mais uma vez,por este espaço.
 
(..."Os materiais estão à guarda...").
É pena que estes e outros achados não estejam em lugar visivel (Museu municipal, casa da cultura etc etc.).
Pena é termos alguns achados arqueológicos até na cidade de Viseu.
 
Amigo North, provavelmente em tempos idos terá aí existido uma cruz, até porque "Alto" é o local: daí se desce para a Abrunhosa e daí se desce para a Cunha. Alíás devo acrescentar que aí existe a Alminha que já tive ocasião de "postar" neste espaço. Como referi naquela altura, era hábito a Igreja primitiva colocar cruzes nos mesmos locais utilizados pelos anteriores ocupantes em termos religiosos:Romanos pagãos e outros povos anteriores, o que pode indicar uma ocupação daquele espaço que poderá remontar a tempos longínquos...muito longínquos.Convido-te a reler o "post" Alminhas-A saga da preservação, publicado em Outubro.
 
Concordo inetiramente contigo, António, Mangualde deveria ter um Museu à muitos anos. Não tem, outros valores mais altos se levantaram. Pode ser que a actual Autarquia pense neste assunto e o eleja como prioridadde. Enquanto isso, vamos tendo alguns materiais "espalhados" e alguns poderão até perder-se.
 
Caro JL
Durante o Verão, não sei exactamente o mês, foi publicado no Renascimento e no Noticias da Beira artigos sobre vários aspectos de Abrunhosa do Mato, um dos quais a toponimia. Lembro da questão da "fonte arenosa".
Vou ver e depois digo-lhe alguma coisa.
De facto é uma pena ainda não termos um Museu, como é uma penas termos uma freguesia sem saneamento e água canalizada!
Se se reivindica o saneamento porque não se reivindicar também um museu. Bata-se à porta da Câmara Municipal e alerte-se para tal!
Quanto ao facto de existirem materiais em Viseu, como existem em Arganil, em Guimarães e em Lisboa, só devo dizer que ainda bem que lá forão parar, senão hoje talvez não os pudessemos estudar e ter conhecimento da sua existência.
No entanto defendo a sua restituição ao municipio quando houver condições para tal.
 
Olá Amigo Tavares

Já tive o prazer de ter esse e outros achados arqueológicos feitos na Abrunhosa do Mato em mãos. Sei também que lhes deste o destino mais correcto.

Acompanhei-te numa das visitas que fizestes ao local. Sou testemunha da existência desses materiais, do local onde se encontraram, bem como, do bom uso que destes deles.

Há muitos anos participei em escavações arqueológicas promovidas pela ACAB em Guimarães de Tavares e na Quinta da Raposeira em Mangualde. Sei que ambos os sítios se encontram junto a importantes vias romanas o que lhes confere uma maior importância. No entanto, da experiência que tive verifico que o tipo de materiais encontrados é aparentemente o mesmo. Assim sendo, acho que faz todo o sentido escavar-se também na Abrunhosa.

Sei que é difícil reunir as condições para arrancar com um projecto desses. É necessária boa vontade, a propriedade é privada, há custos de alguma forma elevados, pode-se alegar que não são vestígios importantes, etc…

Sem se escavar fica-se a saber a mesma coisa ou pouco mais. É importante para a nossa terra e para completar a carta arqueológica do concelho que se faça este trabalho. É também importante para os jovens ocuparem os seus tempos livres a ajudar nestas tarefas. A mim fez-me bem ao “corpinho” e à mente.

Sem querer ser chato, faço de novo a mesma pergunta que fiz há dias.

Sabes quando é que se escava na Abrunhosa?

Um abrço
Alex
 
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António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


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