NEOARQUEO
29 dezembro 2005
  Cabeceira de Sepultura

Quando o homem morre, para várias crenças, verifica-se a divisão entre o corpo e a alma, ou várias almas. Alguns destes componenetes ficam na sepultura; outros empreendem uma larga viagem a mundos fabulosos. Para realizar a viagem, ou simplesmente, para prosseguir com regulariadade na sua vida de além-campa, o morto necessita da ajuda dos que ficaram sobre a terra. O culto dos antepassados, que é a base da maioria das religiões, explica-se assim, facilmente, como o cumprimento dos deveres exigidos aos vivos pelas suas crenças acerca da vida além-terrestre. Há autores que defendem que as estelas funerárias (foto) evoluiram até esta forma e têm a sua origem nas estátuas funerárias (proto-históricas), estando subjacente a ideia de representar a figura do falecido, fosse para atrair e conservar, nessa imagem, a alma errante do morto, ou fosse para proporcionar ao espírito uma figuração mais duradoura que o próprio corpo. As estelas, ou cabeceiras de sepultura, são de diversos tipos sendo mais frequentes as discóides. São medievais, defende-se que são fundamentalmente do séc XV e XVI, podendo ir até ao séc XVIII, mas podem encontrar-se exemplares que remontam ao séc IX. Encontravam-se nos cemitérios rurais dos adros das Igrejas, colocadas à cabeceira das sepulturas e por vezes também aos pés da mesma. Muitas delas têm no disco a inscultura da cruz, (foto), representada de várias formas, e também aparecem insculpidos objectos (tesouras, martelos, etc.) que indicam a profissão do falecido. São constituídas pelo disco e pelo espigão. É um mundo interessante de estudo. Em Mangualde sei da existência(bibliográfica, não fui confirmar) de duas no adro da Igreja de Fornos Maceira Dão. Esta da foto é do Concelho de Sátão, da aldeia de Douro Calvo. Em granito. Está colocada no passeio junto à estrada e foi aí colocada pelo proprietário que a encontrou nos escombros da sua casa, quando fez obras de reconstrução. Quando por lá passarem parem e observem mais um monumento da nossa região.
 
<$Comentários$>:
Caro amigo:
No concelho de Fornos de Algodres foram encontradas pelo menos duas; uma em Algodres descoberta na decada de oitenta do seculo passado, e, uma outra em Figueiro da Granja, que foi colocada numa coluna no sitio da Cruzinha.

FELIZ ANO NOVO, PARA SI E SEUS LEITORES
 
Só o TSFM para ver um monumento destes, do seu lado direito, num sitio que nos obriga a olhar sistemáticamente para a esquerda.

Passei várias vezes por lá e nunca me dei conta dele, não fosse o TSFM chamar a atenção.

Bela imagem dos tempos passados.

Abraços
 
Já lá passei e já vi.
Aprendi mais alguma coisa!
 
Vou aceitar a sugestão , e quando passar vou ver......

Bom 2006
Forte Abraço
 
Feliz 2006
Abraços
 
Boa imagem de excelemte qualidade. Parabéns pelo empenho no dar a conhecer o nosso património que muitas vezes nos passa despercebido...Feliz 2006...
 
Sim, tb já aprendi alguma coisa mais...
Feliz 2006
 
Existem umas parecidas no pátio da Fundação E. de Almeida, no centro histórico de Évora. A sua proveniência é desconhecida (?).
Gostei do seu blogue, regressarei mais vezes.

patrimonios.blog.com
 
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António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


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