Cabeceira de Sepultura

Quando o homem morre, para várias crenças, verifica-se a divisão entre o corpo e a alma, ou várias almas. Alguns destes componenetes ficam na sepultura; outros empreendem uma larga viagem a mundos fabulosos. Para realizar a viagem, ou simplesmente, para prosseguir com regulariadade na sua vida de além-campa, o morto necessita da ajuda dos que ficaram sobre a terra. O culto dos antepassados, que é a base da maioria das religiões, explica-se assim, facilmente, como o cumprimento dos deveres exigidos aos vivos pelas suas crenças acerca da vida além-terrestre. Há autores que defendem que as estelas funerárias (foto) evoluiram até esta forma e têm a sua origem nas estátuas funerárias (proto-históricas), estando subjacente a ideia de representar a figura do falecido, fosse para atrair e conservar, nessa imagem, a alma errante do morto, ou fosse para proporcionar ao espírito uma figuração mais duradoura que o próprio corpo. As estelas, ou cabeceiras de sepultura, são de diversos tipos sendo mais frequentes as discóides. São medievais, defende-se que são fundamentalmente do séc XV e XVI, podendo ir até ao séc XVIII, mas podem encontrar-se exemplares que remontam ao séc IX. Encontravam-se nos cemitérios rurais dos adros das Igrejas, colocadas à cabeceira das sepulturas e por vezes também aos pés da mesma. Muitas delas têm no disco a inscultura da cruz, (foto), representada de várias formas, e também aparecem insculpidos objectos (tesouras, martelos, etc.) qu

e indicam a profissão do falecido. São constituídas pelo disco e pelo espigão. É um mundo interessante de estudo. Em Mangualde sei da existência(bibliográfica, não fui confirmar) de duas no adro da Igreja de Fornos Maceira Dão. Esta da foto é do Concelho de Sátão, da aldeia de Douro Calvo. Em granito. Está colocada no passeio junto à estrada e foi aí colocada pelo proprietário que a encontrou nos escombros da sua casa, quando fez obras de reconstrução. Quando por lá passarem parem e observem mais um monumento da nossa região.