A Arqueologia também tem disto...

Que dirão os meus amigos ao repararem no que resta deste cadeirão? Nada, concerteza…faz parte da nossa vivência. Quanto muito, no mais puro sentido ambientalista, que não deveria estar a apodrecer ali.
Agora imaginem que este era descoberto daqui a 50 000 mil anos? Uma realidade radicalmente diferente da de hoje…
Que perguntas os arqueólogos não farão nessa altura? Que teorias não avançarão?
…Será o “trono” de um chefe regional (entenda-se Presidente da Câmara); Será o Cadeirão de um chefe local (leia-se Presidente da Junta); Será a cátedra do Sacerdote do Grande Culto do Descanso?...
Questões transcendentais como estas ecoarão nas salas das Academias de História, artigos altamente eruditos serão escritos nas revistas da especialidade.
Feliz do Arqueólogo que fizer a descoberta…tem aqui matéria para Mestrado ou quiçá Doutoramento…
Com efeito, ainda há que relacionar o cadeirão com os materiais encontrados à sua volta: a lata amolgada de Coca-Cola, a velha lata de atum Bom Petisco, a garrafa de azeite Gallo (cuja inscrição “a cantar desde 1919", datará com rigor absoluto o sítio), o sapato sem sola, o pneu recauchutado ali ao lado. Qual o significado simbólico do púcaro, de barro grosseiro, já sem asa, se encontrar junto da pata esquerda do cadeirão? Que local é este? Estaremos perante um Santuário repleto de oferendas e ojbjectos mágicos eivados de uma carga psico-simbólica extraordinária?
Estes são os alicerces para a elaboração de uma nova “cultura”.
Bem... na realidade não passa de um velho cadeirão, em madeira, não sabemos se de couro, napa ou tecido, que de velho aqui foi abandonado, porque substituído por outro, novo, e certamente mais confortável…