NEOARQUEO
13 fevereiro 2006
  Alcafache...na Idade Média -Sec XIII

Prometi dar continuidade ao artigo Abrunhosa do Mato...no século XIII para dar uma panoramica do povoamento, das povoações e das gentes que viviam nas terras de Mangualde, nos longínquos tempos medievais. Hoje falarei de Alcafache: nas Inquirições de 1258 vem referida esta povoação e os seus habitantes na época eram Dominicus Suariz, Donnus Garsea, Duram Johannis, Gunsalvus Petri, Martinus Pelagius, este era Juiz, Martinus Ribeyro, Pelagius Michaelis, Petrus Pelagii, Stephanus Michaelis. As popriedades referidas desta localidade são: Uma Herdade foreira ao Rei, de cavalaria, de Casal Mendo, comprada pela Igreja de Alcafache a Donnus Alfonsus de Ribeyro, no reinado de D. Sancho II. Uma Herdade foreira ao Rei, pelo uso e foro de Zurara, comprada por Laurencius Martini a Martinus Ribeiro, no reinado de D. Afonso II, para a Igreja de Fornos de Maceira Dão.
Umas herdades foreiras ao Rei, compradas pelo Mosteiro de Santa Maria de Maceira Dão a Martinus Pelagius, Duram Johannis, Gunsalvus Petri, Donnus Garsea, em 1285, e uma Herdade foreira ao Rei, da cavalaria de Suerius Pelagii, dada a Diagus Martini (Cavaleiro), por Dominicus Suariz, no reinado de D. Afonso II.
 
<$Comentários$>:
Alcafache! Será por isso a grande confusão?
Tantas terras nessa freguesia e nenhuma com o nome de Alcafache?

Abraços
 
muito se aprende aqui...continuo a gostar de ler a história deste pedaço de Portugal :-)

PS- Qd e se quiser, passe por 'lá' a dar uma opinião...

Abraço Desenhado ;-)
 
Bom artigo. Já ficamos a saber mais um bocado. Continua sff.
Obrigado pela pesquisa.
 
Nas Inquirições são referidos os seguintes topónimos: Alcafache, Casal Mendo e Tibaldinho.
Se repararmos são locais onde já antes existiu a presença dos romanos e quem sabe se o povoamento desde essa altura não foi ininterrupto. Até porque naquela altura Alcafache já era paróquia e como tal tinha que ter paroquianos. Por outro lado um documento mais antigo que as inquirições referem uma presuria neste local, ou seja a ocupação por cristãos de terras habitadas por mouros.
O Nome de Casal Mendo deverá vir de um presbitero chamado Mendo que doouà Sé de Coimbra as igrejas de Santar e Moreira e a presuria de "Kalafaz" com reserva de usufruto.
 
Para quem quer aprender e conhecer melhor a sua terra, tem de passar sempre por aqui, é o que eu faço.

Forte abraço
 
Uma excelente ideia a de usar as Inquirições para falar da história local!
 
Amigo António, aqui continua-se a transpirar sabedoria, quando houver tv-regional serás um autêntico mestre Saraiva a divagar nesses lugares e a visionares o passado, tu podes mesmo acrescentar a representação desses tempos aos teus documentários eu e o perneta leporino filmamos.

Um abraço
 
Caro Tavares
Foi com mt agrado que li os comentários do meu ilustre amigo no meu modesto " blog " espaço aberto a uma visita diaria para comentários de temas do nosso cotidiano, não tão históricos quanto aqueles que pude ler no teu blog e onde pude aprender algo, mas que não me atrevo sequer a comentar porque para mim a história é isso mesmo " foi " e apenas me limito a ler para conhecer...
Fica prometida uma visita regular e se tiver algo de novo poderei tb dar o meu contributo...
Desafio-te a dares uma passagem pelo meu blog e comentares um tema quente...temos que mudar este nosso País para melhor pq é nosso e pq só temos este...
roqueferreira.blogspot.com
 
Mesmo tendo em conta que as Inquirições de 1258 teriam demorado algum tempo a fazer, incorporando informação antiga e outra já muito posterior (ainda hoje o INE é o que é …) quando refere que as pessoas associáveis à Alcafache da época seriam os ditos senhores, levando em conta as referências aos reis citados nas suas compras, vendas e doações, gostaria de saber se os leitores e o caro António Tavares estarão de acordo com o seguinte:

1. que alguns dos actos dos citados passam-se no reinado de Afonso II (1211 a 23): os de Domingos Soares, Soeiro Pelágio, o cavaleiro Diogo Martins/nho, Martim/nho Ribeiro e Lourenço Martins/nho;

2. outro acto acontece no de Sancho II (23 a 48): com Dom Afonso de Ribeiro;

3. outros ‘em 1285’ (sic), e presumo que citados em documentos de venda ao Mosteiro (?); Gonçalo Peres, Dom Garcia, Durão Anes, Martim/nho Pelágio;

4. por fim os últimos três, Pelágio Miguéis, Pedro Pelágio e Estêvão Miguéis, que sendo simplesmente citados na Inquirição (são ou não?), serão provavelmente mas com maior grau de incerteza contemporâneos dos anteriores ou de facto, mas com maior incerteza, os únicos de meados de 200.

Questão: não seria difícil quem já era um proprietário com projecção para ser citado na segunda década ou pouco mais, ainda fosse vivo na nona década desse século?

Não estamos aqui diante de pelo menos dois grupos, um de sete figurões (pontos 3 e 4) mais tardio, e de outro grupo apenas referido por testemunhos, e constituído pelos outros seis (e eventualmente por mais um homónimo, como se verá a seguir)?

Dificuldades:

- o Diogo Martins (do primeiro grupo) poderia ser mais jovem e ter vivido no gôzo das suas prerrogativas até 1258 (ou 1285). Ter justificado a sua posse de uma herdade com uma doação feita por alguém muito provavelmente mais velho (Domingos Soares), que por sua vez parece tê-la tirado de alguma forma a outro (o Cavaleiro Soeiro Pelágio) provavelmente mais velho ainda, pode indicar que Diogo Martins estaria a remeter a sua justificação de posse para tempos tão antigos que já seria difícil alguém da época estar vivo para contestar.

Agora repare em que pelo tempo das Inquirições há um Pelágio Miguéis, um Pedro Pelágio e o juiz (no original, juiz ou juratus?) Martim Pelágio. Arriscando eu estar a inventar demais, e dando crédito aos patronímicos e à preservação de nomes (hoje) bizarros na mesma família, por essa época poderiam muito bem estar o Diogo ou alguns herdeiros a ser contestados pelos eventuais descendentes do velho Soeiro Pelágio, a quem a propriedade terá sido tirada;

- há dois factos ligados a alguém chamado Laurencius Martini com uma diferença de cerca de 70 anos. Uma é a dita compra a Martinho Ribeiro e doação ao Real Mosteiro no tempo de Afonso II que, mesmo que tivesse sido no último ano do seu reinado, era de 23. A outra é um puxão de orelhas de D. Dinis que em 90 (de fonte ignorada, citado num site autárquico) manda fazer devassa por causa de dois casais que um Laurencius Martini tinha na freguesia de Alcafache. Embora não impossível, é difícil ser o mesmo. Seriam provavelmente avô e neto, ou pelo menos da mesma família.

Bom, e daí? Daí que há bons estudos em Portugal de levantamento de malhas sócio-económicas na Idade Média, feitos a partir de citações de pessoas e transacções de propriedades, testamentos e afins e que parece-me que não abundam para as nossas terras.
Fica dado o mote.
... e também o desafio para a participação na meia maratona de Viseu no próximo dia 10/09/2006 (então, que diabo, isto não é só inspirar ácaros: toca a mexer!)
Os melhores cumprimentos a todos.
 
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António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


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