NEOARQUEO
02 março 2006
  Citânia da Raposeira...Mangualde Romana

A Nordeste da Cidade de Mangualde encontra-se a mais importante estação arqueológica romana do Concelho. Trata-se de um povoado a que se deu o nome de Citânia da Raposeira. Ao que parece pode ocupar toda a base Oeste e Sul do monte de Nossa Senhora do Castelo, ocupando as "Quintas da Raposeira", "Fonte do Púcaro", e "Campas".
Foi já em 1889 que se levaram a cabo as primeiras escavações. Na época foram dirigidas pelo Dr. Alberto Osório de Castro e tiveram o apoio da Sociedade "Martins Sarmento", de Guimarães. A descoberto ficou todo um conjunto variado de estruturas de habitação. O espólio móvel então trazido de novo à luz do dia era variado, destacando-se um conjunto de moedas da dinastia dos Antoninos.
Mais tarde, em 1985 os trabalhos arqueológicos foram reactivados sob a direcção da Dra Clara Portas Matias, com o apoio do IPPC, da CMM e da ACAB. Na campanha de 1986 (que contou com a minha participação, à semelhança da de 1985) foram postas a descoberto as estruturas dos banhos privados.
Toda a àrea escavada apresenta, ao que se presume, um núcleo agrário, com os seus banhos privados e áreas cobertas que se destinavam às múltiplas funções domésticas e agrícolas. Este núcleo será parte integrante da urbe da já citada Citânia.
Segundo Clara P. Matias a Citânia da Raposeira está cronológicamente balizada, em termos de ocupação romana, entre o último decénio do Séc I.a.C. e o Séc. IV d.C.
Os materias das campanhas arqueológicas recentes (85/86) encontram-se sob a guarda da ACAB e destacam-se as ceramicas finas de ir à mesa (terra sigillata), as ceramicas comuns, as ceramicas de ir ao lume, fragmentos de lucernas, pesos de tear em ceramica, e peças em metal: pregos, fivela, alicate, etc.
O estado de conservação daquela estação deveria merecer um olhar mais atento por parte das autoridades do poder local.
 
<$Comentários$>:
Não fazia ideia...senão quando trabalhei por aí, tinha ido visitar junto com uma amiga e colega de profissão (do ramo de História), que tambem é especializada em Arqueologia e que não perde estes achados. Visitei cá e em Espanha muitas destas coisas graças a ela.

Espero que esta estação arqueológica seja conservada :-)

Abraço da designer
 
Deverias de ter dito antes o estado de des-conservação! É que aquilo está completamente ao abandono. Estive lá com o meu filho há dias e diria que aquilo está em ruína (o problema é que já é uma ruína) enfim…
 
Tendo uma data tão prolongada de ocupação é uma pena que o lugar não esteja a ser conservado da melhor maneira até porque lugares conservados atraem publico e esta interação entre o piblico e os sitios é sempre importante para despertar ums consciência histórica.
 
Em Espanha todos os sítios são preservados e constituidos atração turística. As entradas pagam-se. Os preços variam consoante a "importância" das ruínas. É uma forma inteligente de defender o património. Mas Espanha é Espanha. Não esquecer que estamos num País que apesar de fazer fronteira tem uma maneira muito peculiar de pensar: não pensa.
 
Em tempos foi feito um projecto com a participação de um colega teu que visava construir um Arquivo Municipal sobre as ruínas, onde estas apareciam por baixo de um chão de vidro devidamente protegidas e recuperadas. Lamentavelmente não teve pernas para andar. E não terá nos próximos tempos.
 
Acho que não era preciso tanto como diz o JL, bastava umas vedações mais indicações e elimpeza no sitio e já se podia considerar um sítio em condições! mas até as ruinas mais famosas(?!) do pais se encontram, no meu ponto de vista, em decadência! Conimbriga.
 
Caro JL

Ainda bem que o arquivo não foi para a frente! Não estamos perante um troço de muralha, mas perante uma vila cuja possibilidade de ter ocupação anterior só se pode comprovar se se fizer escavações que removam os níveis romanos.
Se o arquivo para ali fosse esta hipótese futura seria de dificil concretização.
As escavações que ali se fizeram foi com o objectivo de colocar a descoberto os niveis romanos, mas nada garante que não haja níveis anteriores como acontece em conímbriga.
os sítios arqueológicos importantes não devem servir para levar com outras estruturas por cima.
Um síio arqueológico deve ficar sempre de forma que seja possível torná-lo a escavar no futuro com outros olhos, outras técnicas e outros objectivos.
O que a Raposeira precisava para já era de ser limpa, vedada convenientemente e ser lá colocada na placa uma pequena nota interpretativa.
No futuro deveria se terminar de escavar algumas zonas e lançar o projecto de valorização e interpretação.
 
Tambem concordo com o Sr. Pina Nobrega, realmente umas limpezas e placas interpertativas, para alem de serem muito mais baratas tornariam esse sitio muito mais aprazivel.

Saudades para o amigo Tavares e os outros tres da vida airada.
 
E quem fala assim não é gago! Obrigado pela achega caro Pedro. Pode ter contribuido para modificar a minha opinião. Se bem que o parecer positivo que tinha em relação a esse projecto proveio do que ouvi dos técnicos, onde estava um arqueólogo, também. Admito, contudo, que a ser assim como diz posso estar equivocado.
Abraço
 
Citânia da Raposeira - Turismo

Motivo de interesse para Mangualde.

Todas as forças vivas deste concelho estão em sintonia – reabilitação!
Todos dizem – Pena a degradação!
Urgente tomar medidas!
É, fazer, turismo, importante, interesse, reabilitação, arranjo, … etc, etc, etc!
… Mas afinal estamos todos loucos, ou o rei vai nu?

Onde estão as pessoas que tanto deram para a limpeza e “pôr a nu” aquela edificação Romana?
Porque será que já não a defendem acerrimamente?
Será que esta gente … em Mangualde … só trabalha por dinheiro?

Agora a incapacidade impera, os incultos reinam e os reizinhos continuam a pensar que andam vestidos.
Sinceramente, já vi Mangualde mais perto!

Abraços
 
Uma bonita cidade sem dúvida...

:)
 
Também lá andei a nas escavações de 1985 e de vez em quando dou lá um salto com a família ou amigos.
Custa um pouco ver o abandono e a falta de aproveitamento deste sítio.
A continuar a degradar-se assim, mais vale que o tapem de novo para ser melhor preservado.
Pode ser que as gerações vindouras sejam mais sensíveis.
 
Será que se fazem só escavações para encher curriculuns?
 
Local que poderia ser uma excelente atracção turistica e de manutenção pouco dispendiosa, está actualmente esquecido, por quem realmente tem competências ao nível da cultura ou do património.
Enquanto deu dinheiro a ganhar, se calhar através de subsídios, era importante e de valor insofismável, mas agora que os interesses económicos directos não são reais, ninguém quer saber.
Onde estão aqueles que lucraram algo, na altura das escavações, e agora não querem saber ou não demonstram o mesmo interesse e a mesma atitude de valorização do início?
Ou será que os achados não têm relevância nem importância, por exemplo, relativamente às civilizações que por cá estiveram?
 
Tens de por "mão e ordem " nisto, só tu!
 
Ó TSFM já reparas-te que a imagem da estação no antigamente, vem agora no Renascimento?
 
Não reparei, mas amanhã já lá vou ver...para lr o artigo, para ver quem é o autor, para saber de tudo, que um jornal é para informar.
 
só sabem dizer mal rapazes..
é uma questão de prioridades
atão não é melhor cortar umas árvores e gastar um dinheirão num novo jardim ?
o que é que dá votos no futuro quando as pessoas se esquecerem das árvores?
Os romanos... os romanos são doidos lá diz o outro
 
É curioso que passei tantas férias em casa do meu avô materno em Mangualde, na altura era catraia com 11/13 anos e já sentia uam atracção pelas pedras que por lá apanhava! Mal sabia eu que um dia ia ser arqueóloga! Infelizmenteo meu avô já faleceu e nunca mais lá voltei, mas agora sim iria poder ver todas estas coisas interessantes que nem fazia ideia lá existirem!
 
Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]





<< Página inicial
Espaço para reflexões sobre Património Cultural, Arqueologia, Historia e outras ciências sociais. Gestão e Programação do Património Cultural. Não é permitida a reprodução total ou parcial de qualquer conteúdo deste blog sem o prévio consentimento do webmaster.

A minha fotografia
Nome:

António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


Arquivo
Setembro 2005 / Outubro 2005 / Novembro 2005 / Dezembro 2005 / Janeiro 2006 / Fevereiro 2006 / Março 2006 / Abril 2006 / Maio 2006 / Junho 2006 / Julho 2006 / Agosto 2006 / Setembro 2006 / Outubro 2006 / Novembro 2006 / Dezembro 2006 / Janeiro 2007 / Fevereiro 2007 / Março 2007 / Abril 2007 / Maio 2007 / Junho 2007 / Julho 2007 / Setembro 2007 / Outubro 2007 / Novembro 2007 / Fevereiro 2008 / Abril 2008 / Maio 2008 / Setembro 2008 / Outubro 2008 / Novembro 2008 / Dezembro 2008 / Março 2009 / Abril 2009 / Maio 2009 / Junho 2009 / Julho 2009 / Agosto 2009 / Setembro 2009 / Outubro 2009 / Dezembro 2009 / Janeiro 2010 / Abril 2010 / Junho 2010 / Setembro 2010 / Novembro 2010 / Janeiro 2011 / Fevereiro 2011 / Março 2011 / Abril 2011 / Maio 2011 / Junho 2011 / Julho 2011 / Agosto 2011 / Setembro 2011 / Outubro 2011 / Novembro 2011 / Dezembro 2011 / Janeiro 2012 / Abril 2012 / Fevereiro 2013 / Junho 2013 / Abril 2016 /




Site Meter

  • Trio Só Falta a Mãe
  • Memórias de Histórias
  • arte-aberta
  • Rede de Artistas do Arte-Aberta
  • Museu Nacional de Arqueologia
  • Abrunhosa do Mato
  • CRDA
  • Instituto Arqueologia
  • Terreiro
  • O Observatório
  • Domusofia
  • O Mocho
  • ACAB
  • O Grande Livro das Cabras
  • Teoria da conspiração e o dia dia do cidadão
  • O meu cantinho
  • Escola da Abrunhosa
  • O Fornense
  • Um Blog sobre Algodres
  • d'Algodres:história,património e não só!
  • Roda de Pedra
  • Por terras do Rei Wamba
  • Pensar Mangualde
  • BlueShell
  • Olhando da Ribeira
  • Arca da Velha
  • Aqui d'algodres
  • n-assuntos
  • Universidade Sénior Mangualde
  • Rotary Club de Mangualde
  • galeriaaberta
  • Francisco Urbano
  • LONGROIVA
  • Kazuzabar