NEOARQUEO
14 maio 2006
  Abrigos de pastor...


Abrigos de pastor: existem por este país fora. Na Beira Alta são feitos com pequenas pedras de granito, naturalmente a rocha mais abundante e característica desta região. Nas zonas onde o Xisto marca presença é neste material que são feitas. Os pastores, para se resguardarem das agruras do tempo: chuva, frio, neve, granizo, vão construindo aqui e eli estes abrigos. Dentro deles podem recolher-se também nos momentos mais calmos da pastoreio, ali podem comer muitas vezes o magro farnel que levaram de casa. Pastor, cães, saco do farnel, um ou outro borrego ou cordeirito mais frágil têm lugar naqueles casebres, engenhosamente fabricados somente com a habilidade destes homens. Estes abrigos, que também servem os propósitos dos agricultores, podem assumir formas e tamanhos diversos. Frequentemente são pequenos, cumprindo apenas com a finalidade com que foram projectados e construidos.Deixo-vos estes exemplares existentes na região de Pinhel, Guarda. São um importante marco da cultura rural do nosso povo. Urge que se preservem.

 
<$Comentários$>:
Nem de propósito. Acabo de chegar de um passeio que fiz à Serra da Estrela por estradas nunca antes navegadas. Fiz um percurso por terra batida espectacular, bem no coração da Serra e encontrei destes abrigos por todo o lado. Não é de espantar pois os caminhos da transumância estavam bem "equipados" para os pastores que conduziam os seus rebanhos à Serra em busca do melhor pasto para fazerem o melhor queijo.
 
Amigo TSFM, passei por aqui (como sempre) e gostei deste "post" (também como sempre).
Fez-me lembrar aquele abrigo que tu muito bem conheces atrás da casa do Rochinha, quatro paredes tortas feitas aos empurrões, foi inicialmente construído para nos resguardar do frio e das intempéries, não que estivéssemos a pastorear mas sim a regalar-nos com um belo manjar.
A base filosófica deste abrigo é a mesma, a protecção contra as fúrias de São Pedro ou de Set. Ainda que a sua construção sejam no meio de Viseu e as pedras substituídas por tijolo e cimento, é tosco e serve para levar o farnel, só ainda não levámos umas “ovelhitas” como qualquer mau pastor faria, ou como diz o meu homónim Reininho "Sou um mau pastor só me interesso por cabras...".

Um abraço
 
Caro António

Na freguesia de Quintela de Azurara, poderá também encontrar um abrigo destes cujo estado de conservação ainda é regular.
 
TSFM,
As coisas que tu descobres!
Ainda bem que mostras esses abrigos pois nunca tinha visto nenhum.
As antas também se prestam para essa função e já abrigaram muitos pastores. Se calhar é por isso que muitas se mantiveram de pé e chegaram aos nossos dias.
Um abraço
 
Poe aqui (Castelo Branco/Idanha) não conheço nada assim parecido. Mais para sul é que aparecem os furdões em falsa cúpula que também tinham essa função.
 
Mais um bom contributo para a divulgação do património rural, ligado à pastorícia, uma actividade milenar das gentes da nossa região.
Já agora convido-o a ver uma mó, acho que também de origem romana, em perfeito estado de conservação que um irmão meu tem e que foi encontrada na quinta da Corredoura, uma quinta perto daquela referido no seu artigo sobre o mesmo assunto.
 
Caro António, verei com agrado a mó que o seu irmão tem. Para contacto envie um mail para mim.
 
Preservem-se sim senhor e já!

O João Lopes fala de uns abrigos da Serra da Estrela que tambem me são "familiares"...quando era miúda iamos lá todos os verões (um lado da minha família é da Covilhã) e íamos sempre visitar a abrigos desses, um pastor muito velhinho (que tinha sido amigo do meu Avô), chamado Valério. Era uma figura ímpar, muito castiço e conhecedor da vida.
E a forma de toda a gente o procurar na Serra era gritando aos quatro ventos:

Ó Valééééééééééééééééééééério!!!

...ecoava pela Serra abaixo (e acima) e ele respondia sempre, com outro grito igual e ficávamos a saber onde ele andava :-)

...recordações de infância...que este post dos abrigos me trouxe :-)

Abraços desenhados!
 
Sem duvida interessantes, embora eu nao conheca nenhum desses abrigos no meu concelho, sendo uma terra de pastores deve have-los tambem, existem tambem por ca varias grutas graniticas, que foram usadas para o mesmo fim.

Um abraco amigo.
 
Aquilo que a gente descobre! Confirmo o que diz o meu vizinho J. Batista. Aqui por terras de Idanha não tenho conhecimanto de nenhum abrigo deste tipo. Antes pelo contrário. Exitem relatos de que antigamente, em períodos de transumância chegavam até aqui pastores de Gouveia, Manteigas, Covilhã,... que passavam Invernos ao relento, acompanhando o gado.

Cumprimentos
 
Os pastores eram uns artistas, se fizessem pontes não caiam
 
Ainda me lembro de um em Santo Amaro de Azurara.
O “Ti Fredo” como lhe chamavam, era o pastor de um grande rebanho que existia, era um dos maiores rebanhos das redondezas.
O Sr. Alfredo, lá andava todos os dias, fins de semana e feriados com as ovelhas. O abrigo ficava bem junto a um grande penedo, que servia de telhado, as paredes foram feitas de pequenas pedras. Mais tarde, o “Ti Fredo” teve direito a uma carroça para se resguardar das intempéries e dormir quando se deslocava para pastos mais distantes.
Brinquei várias vezes nesses abrigos. O de pedra terei que passar por lá, para ver se ainda existe. A carroça apodreceu na “Malhada”, ficando ainda muitos anos a chapa com telhado redondo, depois até isso desapareceu.

Abraços
 
Para os meus lados, Forcalhos (concelho do Sabugal), o que existe para protecção dos pastores e guarda de alfaias agrícolas são construções circulares, a que chamamos choços, construídos com pedra solta, uma só porta, alguns com pequenos orifícios a servirem de frestas, e cúpula falsa.

Estes que apresenta eu desconhecia. São curiosos.
 
Estou a achar incrível este blog em termos da informação que se pode adquirir. Costumo passar férias na terra dos meus pais e família, em duas aldeias próximas Fresta e S.João da Fresta, pertencentes ao concelho de Mangualde (para os lados de Chãs de Tavares). Há muita coisa que me fascina em termos de vestígios, ruínas, pedras, cultura no que vou encontrando por aquelas terras. Sorri ao ver os abrigos do pastor...nas terras da minha avó ainda existem alguns abrigos antigos em ruínas.

Parabéns pelo blog e pelo empenho.
 
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António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


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