Alminhas, de novo...

Já escrevi sobre as Alminhas, bem nos começos do NeoArqueo. Venho de novo com este tema, que é caro a alguns amigos. De facto, graças aos trabalhos de levantamento destes monumentos de religiosidade popular, levados a cabo por alguns elementos da direcção da Associação Cultural de Santo Amaro de Azurara, na Freguesia de Mangualde, é possível, hoje, termos uma ideia aproximada de quantos por aqui existem e o seu estado de conservação. Muitos deles são autênticas obras de arte de cantaria, dada a extrema beleza e exuberância de motivos decorativos. Outros são bem mais simples, pequenas preciosidades de cantaria singela, colocados numa ou noutra encruzilhada de um qualquer caminho velho, como que esquecidos e votados ao abandono.
Se a intenção das alminhas era convidar o comum mortal a deter-se um pouco e a orar pelos que já partiram desta vida, e que por mal dos seus pecados se encontravam ainda no purgatório, cumpre-nos a nós, agora, zelar para que estes exemplares se mantenham nos sítios originais, devidamente preservados.
As Juntas de Freguesia, muitas vezes os principais responsáveis pelo património que é de todos, levam a efeito acções de preservaçao destes monumentos. Faço aqui um apelo a que quando o quizerem fazer que se rodeiem, que peçam ajuda a arqueólogos ou historiadores. O risco de não o fazerem é por vezes o de danificar, sem intenção, mas irremediavelmente, alguns pormenores destes monumentos. A título de exemplo, refira-se que durante uma determi

nada época era moda as alminhas serem pintadas de vermelho. Limpá-las com jactos de areia, como eu já tive notícia, destrói essa camada de tinta, e desvirtua a originalidade do monumento.
Já agora, um apelo aos que julgam estar a preservar, como se vê no exemplo da foto de baixo: não façam isto, pelo amor de Deus...