NEOARQUEO
23 outubro 2006
  Picota...uma réplica exemplar...

Eis uma extraordinária réplica de uma picota, ou picanço...enfim, tem muitos nomes, consoante a zona geográfica. Segunda reza a História tal engenho de buscar àgua foi introduzido nas terras lusas pelos àrabes.

Mas...estamos perante uma réplica! não é original! Nem tão pouco se trata de uma reconstrução ou restauro de uma picota existente! Não! Aqui, nesta aldeia das encostas do Caramulo, a Junta de Freguesia local, em colaboração com a Câmara Municipal local meteram mãos à obra e preservaram, deram a conhecer aos jovens, às crianças, a todos os que demandam aquelas paragens um pouco da História Local, um pouco da tecnologia antiga...e construiram uma picota que exibem, orgulhosamente, num dos largos da aldeia.

É com este tipo de atitudes que nos tornamos mais genuínos. É mais um pedaço da nossa memória colectiva que fica guardado.

Mas...não posso deixar de lamentar que noutras localidades, noutras freguesias não se pense assim...

Em inícios de 1998, eu próprio tomei a liberdade de me dirigir por carta a um dos membros da Junta de Freguesia de Cunha Baixa dando conta da possibilidade de reconstrução de uma picota da qual restava apenas o pilar em granito. Tal elemento do engenho encontrava-se e encontra-se na rua, junto à monumental Fonte Arnós (Arenosa) em Abrunhosa do Mato, e por isso afigurava-se-me interessante que se procedesse a tal recuperação.

Com esta atitude estava-se a levar a cabo uma acção de protecção do pouco património cultural que a aldeia possui. Permitia-se, de igual forma, que as crianças se apercebessem do valor das coisas passadas. Era assim que eu pensava...é assim que continuo a pensar...

Já lá vão 8 anos e até hoje a picota não foi reconstruída...
 
<$Comentários$>:
Olha TSFM, e eu penso "exactaqualmente" assim com o Sr.!
Picanços e Noras deviam ser preservadas e reconstruídas em locais públicos, para que com o passar do tempo o saber e querer antigo se perpetuem.
Desde que edifiquei a minha habitação que tenho planos, cá no "sótão" de erguer um destes exemplares no meu jardim, só que até agora ainda não arranjei enjenho e tempo. Mas já consegui reunir as peças metálicas (originais) que fazem a ligação entre as duas varas (a do contrapeso e a do balde, não sei os termos técnicos, ou mesmo se existem) e quanto ao pilar de granito, já ando a "namorar" um...

Há por aí tantas rotundas, porque não se aproveitam desta forma, em vez de se gastar milhares de euros?

Abraço
 
O caro Tavares, pelo comentario anterior so lhe posso dar um conselho, ponha guarda ao tal esteio de pedra que o meu amigo refere pois como referiu o Alex: "ja anda a namorar um".
Isto so para provocar os meus amigos, nao me tomem a serio!!!
Por falar em provocacao vao ao "aquid'algodres", brevemente ai veram uma provocacao para todos os meus amigos das "Terras de Tavares, Azurara e Castendo".
 
Na minha zona chama-se também BURRA.
 
Boa ideia

Se ainda lá está pode ser que alguém, se lembre de aceitar a proposta e reconstruir a picota. O meu único receio é que entretanto, empreiteiro qualquer se lembre de desfazer o esteio da picota à marretada para fazer os paralelos de uma rua qualquer a pavimentar. Não era de estranhar pois isso já aconteceu há tempos com um grande bloco de granito que estava junto à carvalha na Rua da Carvalha e que lhe servia de assento.



Amigo Tavares, ainda não aceitaste o desafio que te fiz.
(Este era mais um belo Artigo para o Blog da Abrunhosa)
 
É pena que ainda não se tenham dado conta que preservar é urgente.

Os bons exemplos são para seguir, não se pode pensar, que só porque aquele ou o outro me disse para fazer, agora é que não faço...Ora Bolas!

Abraços
 
..........a brincar mas muito a sério:

já pensou em 'arregimentar' um grupo de amigos? 'amarram-se' todos ao remanescente da picota, - o tal pilar de granito - chamam os jornais, um correspondente de um canal de tv de grande audiência, e... quem sabe aparece um mecenas que dê uns cobres para a obra.

Claro que ainda há a luta contra a burocracia instituída... mas isso é outra história.

Sabe o que costumo dizer? Temos tão pouco e estragamos tanto!

Bem haja por se preocupar com estas coisas.

Deixo um abraço.
 
A blogosfera é um mundo que partilhamos com objectivos marcados e sólidos, e que nos entra pela casa dentro.Neste blogue entro para a sala como convidado bem recebido e assisto, satisfeito e prazenteiro ao quanto de bom e belo se faz, sobretudo aqui, onde tudo é agradável. Ao despedi-me satisfeito desejo bom fim-de-semana.
 
...fiquei aa saber o que é uma picota :-) aqui está-se sempre a aprender!

Já cumpriu o seu 'dever cívico'?...se não, ffv de ir
'lá' votar ;-)

Bjs
 
Concordo plenamente consigo, preservar e mostrar aos jovens o património rural que está em vias de desaparecer é um acto cultural muito importante e muito mais barato do que andar a adornar rotundas com "arte" de gosto muito duvidoso e que não diz nada, à maior parte do cidadão comum!
 
Sabes que em tempos tive um vizinho (que Deus o tenha) que se chamava picotas, e ao contrário "destas" era bem pequenito e atarracado.
E quando o Picotas dava à picota... isso é que era, ele a dar ao engenho e eu a tirar água a cabaço da minha poça!
Velhos tempos... agra é só carregar no botão e/ou abrir a torneira, é por essas e por outras que crescem as "barriguitas".

Abraço e bom fim de semana,
já agora e se não for pedir muito que o Benfica e o Porto logo empatem!
 
Era isso mesmo! Também me lembro de ouvir chamar à picota, "engenho", ou será que as minhas recordações de infância já estão baralhadas?
-
Eu e meu pai, hoje com 82 anos, seguíamos na estrada (de terra batida na altura - por volta de 1955, ali entre Viseu e S. Pedro do Sul, eis senão quando em cima do dito engenho vemos uma águia (era águia ou algum milhafre?). Naquele tempo, as aves de rapina eram muito mal vistas, porque comiam os pintos e até galinhas, sempre que tinham oportunidade.
Então não é que o meu "velhote" queria matar o bicho a tiro de pistola? A uma distância praí de 50 metros ou mais?!
Não serão histórias para contar com este à vontade, mas já que entrei na conversa!...
Um abraço
Antonio
 
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António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


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