NEOARQUEO
26 novembro 2006
  Ponte Romana
Os rios, hoje como outrora, dificultavam a passagem das gentes duma margem para a outra. Constituiram, durante séculos, barreiras naturais de afastamento de pessoas e culturas. Ao mesmo tempo funcionaram também como pólo atractor de populações, de aproximação, de meio de transporte. Ao longo do seu curso as populações foram fixando-se e formaram simples habitats, inicialmente familiares, mais tarde aldeias e em inúmeros casos de cidades e grandes cidades. O rio desempenha então um papel determinante do Devir Histórico. Mas, inevitavelmente as suas margens continuam a ter um papel de separação, pelo menos geográfica e físicamente. O homem desde cêdo criou estruturas que lhe permitiram a livre circulação entre elas: as pontes. Se hoje temos pontes de tamanhos desmesurados que são autênticos tributos ao génio humano, a Ponte Vasco da Gama, a 25 de Abril, por exemplo, não pudemos esquecer que exemplares em madeira foram os progenitores destas maravilhas da engenharia. Apresento-vos um humilde espécimen de uma velha ponte romana, em granito, que ajudou a transpôr com eficácia e durante séculos as margens de um pequeno rio em terras de Vila Nova de Foz Côa. Hoje está substituída por uma, mais larga e que satisfaz as necessidades das gentes actuais, mas que em termos de arquitectura fica a anos luz da vetusta romana, que teima em resistir, mesmo às águas fortes que por debaixo dela ainda vão passando.
 
<$Comentários$>:
Naquele tempo faziam-se as coisas para durar, durar, durar...ou seja, eram bem feitas ;-)
 
Agora durar é um logro pois... dentro de algum tempo, há necessidade de fazer outra... para dar trabalho a um empresário amigo... a precariedade é lema...
é usar e deitar fora...a ponte é como um preservativo... depois acontecem tragédias como a de Entre-os-Rios...
 
Aqui esta o busilis da questao: Sera que e mesmo romana?
E que de acordo com varios especialistas, se nao tiver pedras almofadadas nem marcas forfex nao pode ser considerada romana.
De-nos a sua opiniao.

Um abraco de amizade.
 
É como diz amigo AL. Relativamente a esta ponte, olhei para ela, fotografei-a e meti-me imediatamente no automóvel pois chovia desalmadamente, foi na sexta-feira, dia de cheias por todo o Portugal. Afirmo que é romana, apenas baseado na classificação que a Câmara de Vila Nova de Foz Coa lhe atribuiu. Porém, é natural que não seja. Aliás é normal chamar-se romana ás pontes ou aos caminhos, quando por tradição os populares os conhecem de muito antigos. Na maoir paerte dos casos estamos perante obras medievais e/ou do período Liberal.
 
Romana ou não, parece-me de confiança e continua a servir ao longo dos tempos para desempenhar a função para que foi construída, chegar á outra margem.

Um abraço
 
Concordo consigo Amigo Tavares. Olhe outra altura em que se construiram muitas pontes a que hoje chamamos romanas, foi no tempo dos Filipes, mormente nas zonas interiores de Portugal e Espanha
 
Efectivamente, estas pontes, para alem de serem arquitetonicamente bem concebidas contrastam a aparente fragilidade com uma robustez extraordinária, sabemdo nós que naquele tempo quase não havia ligantes, sendo a pedra apenas encaixada, aguentando a passagem de toneladas de água.

Abraço
 
Estou espantado!

Já sabia que havia o habito popular de atribuir aos moiros tudo que é vestígio arqueológico, mas nunca imaginei que se classificassem de romanas todas as pontes antigas com um arco assim.

Poderá não ser a original mas ter sido feita à imagem da anterior.
Há ou não vestígios de uma estrada romana até ela?
 
Alex, desconeço se há vestígios de alguma jeira romana. Porém alertas, e bem, para um pormenor: esta ponte pode ter sido construida e reconstruida e volta a ser construida ao longo dos tempos...
 
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António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


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