NEOARQUEO
18 fevereiro 2007
  Capela de São Cipriano - Abrunhosa do Mato

Em Abrunhosa do Mato existiu até 1964, data da sua destruição, uma capela. Tratava-se de uma capela de média dimensão. Dedicada a São Cipriano, padroeiro desta aldeia, cuja estátua, em granito, encima um andor que costuma ver a luz do Sol na procissão da festa do Senhor do Calvário, normalmente realizada em Maio de cada ano. O largo onde existiu a capela é hoje conhecido precisamente por capela, pese embora o facto de ter sido baptizado toponímicamente por Largo de São Cipriano, e assinalando a existência dela foi erigido um cruzeiro.
Avaliando pelas fotos que ainda se vão encontrando não podemos afirmar da data de construção do monumento. Nos textos entretanto recolhidos das Inquirições de 1258, de D. Afonso III, o nome de Abrunhosa do Mato é referido, mas não há alusão a nenhuma capela ou igreja. Restam à vista, dispersamente localizados pela aldeia, alguns restos da antiga construção. Porém, não são suficientes para nos ajudarem a determinar a data de fundação. Pela análise da foto onde se exibe a torre sineira, pelo estilo arquitectónico, poderemos estar perante uma capela que já existiria no século XVII, isto é datando de a partir de 1600. A estátua de São Cipriano poderá datar do século XVI, o que nos faz colocar a existência desta capela pelo menos até esse século.
Tal capela foi mandada destruir por se considerar na altura que causava estorvo ao normal transito de pessoas e bens. Em sua substituição foi construída uma nova, moderna, de arquitectura simples mas acolhedora, num ponto levado da Aldeia velando assim todas as almas da localidade.
Não valerá já a pena escalpelizar sobre o erro que foi, em minha opinião, a destruição da capela. Na realidade penso que não deveria ter sido destruida, como compreendem pelas razões históricas que norteiam o meu pensamento e porque os motivos que levaram à sua destruição foram rapidamente colocados em causa: em menos de 20 anos após a sua destruição foi aberta a estrada da circunvalação que desviou completamente o transito do interior daquela zona de ruas estreitas e apertadas... Além disso hoje a capela poderia funcionar na perfeição como capela mortuária. Serviria para esse papel de uma forma exemplar: central, relativamente a toda a aldeia. Deixo aos meus amigos leitores e comentaristas algumas fotos...
 
<$Comentários$>:
Quando os nossos políticos deixarão de destruir o nosso Património Arquitectónico, Cultural e restantes? :_(

Apesar desta triste notícia, desejo-te um carnaval folião!

(Mas não te cales de contar a História! ;-) )

Abraço.
 
Caro António já o pároco de 1758 refere esta capela na sua memória paroquial a par da capela do Calvário.
 
Excelente achega Pedro.
 
caro antónio ainda hei de ver numa relação do séc. XVII enviada pelo bispo de viseu ao papa e que foi publicada pelo dr. alexandre alves
 
Se o facto foi so o apontado, nao fazia sentido, ainda se estivesse em ruina, mas pelas fotografias nao me parece!

Menos mal que ficaram as fotografias e a lembranca historica nas pedras!

Um abraco algodrense e bom Entrudo.
 
Não conheci, por razões óbvias a capela, mas diz quem ainda a conheceu que, apesar de pequenina, era muito bonita e com um altar muito rico. Subscrevo o que fica dito de essencial no texto. E concordo, em absoluto, que hoje daria uma belíssima relíquia e uma capela mortuária adequada às necessidades.
 
Este comentário foi removido pelo autor.
 
Agora não há a fazer… Mas, juntando muitas fotos de diferentes ângulos e falando com os mais antigos poderia reconstruir-se virtualmente em 3D recorrendo à novas tecnologias.
:-)

Os meus pais casaram-se na capela. Tenho algumas fotos (ainda por digitalizar) que mostram o altar com alguma qualidade. Deve haver muitas fotos como essas da Capela de S Cipriano - tem de se fazer uma recolha de fotos.

Se conseguires juntar muitas fotos e um esboço da planta da capela eu tento por isso em 3D.

Um abraço
 
Caro António

Já estive a ver o artigo do Alexandre Alves e não consta nenhuma ermida na paróquia da Cunha Baixa. Este artigo não é mais que publicação de um documento de 1675 com o estado actual da diocese de Viseu que o bispo de então enviou a Roma. Alexandre Alves transcreveu e fez a introdução.
Aparecem ermidas para outras freguesias, mas para a CNB só a Igreja Paroquial. Por isso ABM não devia ter nenhuma capela naquela altura.
 
Pedro, as fontes são escassas. Se por acaso tropeçares nalguam que refira a capela, diz-me.
Abraços
 
Alex, quando tiveres as fotos digitalizadas envia-mas para eu poder vê-las e estudá-las. É uma excelente ideia a tuda de tridimensionar a capela. Vamos tentar fazer isso.
 
caro antónio

claro que sim. até porque o caso desta capela será estudado na minha dissertação de Mestrado por causa da destruição.
 
cumprimentos
em relação ás vias romanas, podemos ainda hoje ver troços da Estrada Romana em terras de Tavares, mais precisamente em Guimarães de Tavares e na Serra do Bom Sucesso em Chãs de Tavares.
De escavações arqueológicas aqui efectuadas, foram encontrados machados em bronze e outros artefactos pré históricos. Tenho fotos no terrasdetavares.blogspot.com
saudações
 
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António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


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