NEOARQUEO
21 julho 2007
  Alminhas... ou o quotidiano mental das gentes idas...

Falar de alminhas é, para mim, um tema interessante. Trata-se de uma forma popular, muito rica, de expressar a cultura, a religiosidade, o quotidinao mental das populações que dos séculos XVII-XVII até ao primeiro quartel do século XX povoaram este território.
Não se pense que o primeiro quartel so século passado foi há muito tempo, não...há certamente imensa gente por estas aldeias fora que são dessa época. Muitos dos anciãos, e não só, com quem privamos ou que amiúde encontramos e nos cruzamos diariamente são contemporâneos dos construtores destes monumentos de religiosidade popular. Alguns haverá que foram eles quem esculpiu tais obras de arte.
Pedreiros?... Canteiros?...Já faleceram?...Ainda se encontram connosco?...
Bem...hoje deixo-vos um exemplar que foge um pouco aos tipos habituais de alminhas da nossa região (Beira Alta). Fica numa aldeia da freguesia de São Pedro de France (Cavernães), concelho de Viseu. É muito bonita...
 
<$Comentários$>:
cumprimentos tavares.
na escola secundária - 8º ou 9º ano - lembro-me de ter feito um trabalho sobre o património de arte-sacra em Chãs de Tavares e referi 7 ou 8 alminhas existentes.
Todas as entradas ou saídas da localidade tinham uma, mesmo caminhos de terra. Também algumas dentro da localidade.
um abraço.
 
É muito bonita, sim senhor. Agradeço o teu apoio e a tua solidariedade. Conta sempre com este teu Amigo virtual

Abraço

Joaquim
 
As datas mencionadas (séc. XVII-XVIII), coincidem com o apogeu do medo do Purgatório. Terror que levava os ricos a fundar capelas e os pobres, aparentemente, a edificar monumentos mais modestos, para resgate das almas pecadoras. Apesar de nunca ter estudado a fundo este tema, penso ser provável a existência de dois tipos de monumentos, popularmente designados por "alminhas". Um grupo destinado à reflexão e oração pelas almas dos falecidos, englobando pequenos oratórios decorados com pinturas e frases alusivas ao tema, inscritos em caixas (por vezes gradeadas), para a colocação de velas e/ou esmolas. O outro grupo, menos elaborado, que se resume a marcos decorados com cruzes, por vezes com nichos estilizados, muitas vezes aplicados em muros de propriedades, junto a vias de circulação. É possível que estes monumentos tenham uma origem mais antiga, relacionada com a protecção das propriedades e viajantes, tendo mais tarde evoluido para alminhas.

PS - Obrigado por partilhar este exemplar raro e de grande beleza.
 
E muito bonita e pelas gravacoes esta relacionada com os povos agricolas da nossa regiao.

Um abraco f.algodrense.
 
É diferente do habitual mas muito bonita, de facto.
 
Muito bonito, sem dúvida, este monumento.Mas mal o vi ,lembrei-me das cabeceiras de sepultura... será que o corpo esculpido não terá sido reaproveitado? É que, na verdade, ainda não vi nenhuma alminha com esta resolução formal e já observei,analisei e fotografei muitas...e nenhuma como esta !
 
Este comentário foi removido pelo autor.
 
De facto como refere o último comentário, mais parece uma cabeceira de sepultura do que uma alminha.
Na base tem alguma data? É que parece ver lá uns números, mas não consigo descortinar quais.
Outra questão, Cavernães é freguesia, por isso não pertence a S. Pedro de France.
 
Pedro, quanto à data parece ser 1992 (não fiz qualquer decalque, pelo que não tenho a certeza).Também a mim me parece mais uma cabeceira de sepultura do que uma alminha. Lancei este post com o título de alminha e trattei o assunto como se de uma alminha se tratasse, para ver se surgiam alternativas à proposta. Não quiz tratar o assunto como cabeceira de sepultura, pois qualquer opinião que viesse poderia estar a ser condicionada. Assim, congratulo-me por ver surgir uma opinião alternativa, o que me permite tratar, agora sim o assunto de uma outra forma. Peço desculpa por esta técnica pouco ortodoxa, mas é certamente bastante elucidadtiva na orientação de estudo a seguir.
 
Excelente exemplar.

Obrigada pela partilha.


Deixo um abraço.

I.
 
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António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


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