NEOARQUEO
01 janeiro 2011
  5 de Outubro e a revolta dos talaças...



A Revolução de 5 de Outubro de 1910 aconteceu naturalmente e como consequência das diversas acções doutrinárias e políticas levadas a cabo pelo Partido Republicano, criado em 1876. Da contraposição entre a República e a Monarquia, a propaganda republicana foi sabendo tirar partido de alguns factos históricos de repercussão popular: as comemorações do terceiro centenário da morte de Camões, em 1880, e o Ultimatum inglês, em 1890, entre outros foram aproveitados sabiamente pelos defensores das doutrinas republicanas que se identificaram com os sentimentos nacionais e aspirações populares.
Entre os diversos intervenientes dos comícios e manifestações de propaganda republicana de 1880 figuravam
Elias Garcia, Manuel Arriaga, Magalhães Lima, Agostinho da Silva.
O terceiro centenário da morte de Camões foi comemorado com actos significativos: o cortejo que percorreu as ruas de
Lisboa, no meio de grande entusiasmo popular. No Panteão Nacional criaram-se os cenotáfios para Camões, Vasco da Gama. As luminárias e o ar de festa nacional que caracterizaram essas comemorações ajudaram esse quadro de exaltação patriótica. A ideia das comemorações camonianas partiu da Sociedade de Geografia de Lisboa, mas foi a uma comissão de representantes da Imprensa de Lisboa, constituída pelo Visconde de Jorumenha, por Teófilo Braga, Ramalho Ortigão, Batalha Reis, Magalhães Lima e Pinheiro Chagas que coube executar a tarefa. Ora, o Partido Republicano, ao qual pertenciam as figuras mais representativas da Comissão Executiva das comemorações do tricentenário, ganhou grande popularidade.
Outros factores de índole político-social, de descontentamento popular, de desagrado para com a Família Real, estiveram na génese na Revolução republicana.
Foi durante o breve reinado de
D. Manuel II — que ascendeu ao trono após o atentado a D. Carlos, donde resultou também a morte do seu filho herdeiro Luís Filipe, Duque de Bragança — que o movimento republicano se acentuou, chegando mesmo a ridicularizar a monarquia. O contexto de instabilidade política avizinhava que a revolução estaria eminente. Esta verificou-se a 5 de Outubro de 1910.
Não podemos nunca deixar de referir que para o sucesso da Revolução muito contribuiu a incapacidade de resposta do Governo em reunir tropas que dominassem os cerca de duzentos revolucionários que resistiam de armas na mão. Comandava as forças monárquicas, em Lisboa, o General
Manuel Rafael Gorjão Henriques, que se viu impotente para impedir a progressão das forças comandadas por Machado Santos. Com a adesão de alguns navios de guerra, o Governo rendia-se, os republicanos proclamavam a República, e D. Manuel II era exilado.

PS Este Post foi transferido para data posterior por questões técnicas.


 
<$Comentários$>:
Muito bom este acontecimento ... para retemperar forças com mais um feriado. Pena é, que os Portugueses não tenham apreendido nada com as experiencias vividas.
Os nossos vizinhos Espanhois, continuam com a sua monarquia bem vincada e não deixam de viver bem e em democracia!

P.S. Gosto muito dos sublinhados que o texto tem, indica o caminho para um maior conhecimento. Não usas,ainda bem, aquela tanga das Etiquetas, que não nos levam a lado nenhum.

Abraços
 
Ontem dia em que se celebrava em Lisboa a "republica", noticiou a RTP que enquanto os espanhois contribuem com 19 centimos para a casa real, nos que somos ricos contribuimos com um euro e tal para a casa republicana!!!
O amigo Terreiro sublinha e muito bem, que os nossos vizinhos com a sua monarquia, nao deixam por isso de viver bem e em democracia!!!

Um abraco amigo aos dois e ao resto dos amigos, da Tavares e Azurara.
 
Viva a república!
Viva a democracia!
Obrigado por relembrares o 5 de Outubro de 1910 com este belo resumo (tinha dado um jeitão nos testes de história...).
----
Se o regime actual continuar com este desempenho o mais certo é surgirem, com o decorrer do tempo, uns quantos talaças revoltados dispostos a acabar com ele novamente.
 
Basta apenas me lembrar que durante a monarquia caimos no domínio dos espanhois devido à herança de PORTUGAL.
Sòmente isto é mais que suficiente para ser sempre REPUBLICANO.
VIVA A RÈPUBLICA para sempre e Viva a DEMOCRACIA.
FIJOTA
 
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António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


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