NEOARQUEO
16 setembro 2007
  Côa...rio...gravuras...progresso...

Foi este rio, o Côa, e esta região, estendida de Vila Nova de Foz Côa a Figueira de Castelo Rodrigo que viram os homens da Pré-História executar nas paredes xistosas das suas margens as magníficas gravuras que hoje são a base para que a Unesco tenha considerado esta superfície geográfica como Património Mundial.
De beleza estonteante, os riscos esculpidos no mole xisto que comprimem as águas relatam-nos cenas do quotidiano daqueles tempos em que viver e sobreviver era uma epopeia.
As gravuras do Côa deram origem a uma instituição cujas instalações se situam na Vila de Foz Côa. Os diversos trabalhos de investigação centralizam-se naquele espaço.
Na altura quente da descoberta das obras de arte pré-históricas muito se falou, muito se escreveu, muito se prometeu...Um futuro risonho e um plano de desenvolvimento integrado daquela região era a única saída...Para trás ficou o projecto de uma barragem que ameaçava a destruição de tão valioso património. Salvaguardou-se também a Quinta do Vale Meão, a tal que produz o tão afamado "Barca Velha".
Tudo, a meu ver, atitudes positivas de políticos inteligentes, de visão, que não sacrificaram a História a uma construção que, se fazia falta não se tem notado, pois ainda não foi construida noutro local como alternativa...
É bem que por cá se tenha mais vezes a coragem de assumir posições correctas e assertivas e que não se vá atrás daquilo que muitas vezes apenas constitui um "progresso" com uma durabilidade de 100 anos. É que se a água produz energia, o vento também, o sol também...Se a energia é fundamental aos dias de hoje que se invista nas energias alternativas...que parece ser o que está a acontecer e se preservem as "grandes construções do homem".
As gravuras do Côa por seu lado, se constituem a "chave" do progresso e desnvolvimento daquela região, estes últimos não se têm feito notar...a não ser a proliferação desmesurada de restaurantes em Vila Nova de Foz Côa.
Alheio a tudo isto mas, no centro disto tudo lá vai o Côa...correndo, ora mansamente ora de uma forma mais violenta, mas sempre comprimido pelas suas xistosas margens...
 
<$Comentários$>:
Provavelmente senao houvessem as gravuras ma regiao, ainda hoje Foz Coa era unicamente "Vila Nova" e ainda nao era cidade!

A fotografia e linda!

Um abraco amigo do d'Algodres.
 
Mais um projecto ficou na prateleira. É sempre assim neste país...

O mesmo se passa com a projectada barragem da Abrunhosa do Mato (Girabolhos), no Rio Mondego, onde penso não haver gravuras ou outro tipo de impedimentos de relevo para a sua construção e que nunca mais avança. Há décadas que se fala nela e nem com o preço barril de crude a rondar os 80 Dólares a constroem.

Apesar de ultimamente se voltar a falar nela
ainda não deve ser desta pois o negócio da época, o que está na moda e o que está a dar são os parques eólicos.

Um abraço
 
Caro ANtónio

Alternativa houve, o baixo Sabor, só que também aí se encontraram gravuras, mas em menor escala, mas creque durante as obras se vão encontrar mais.
O Baixo Sabor ainda não começou a ser construida porque os ambientalistas fizeram queixa à UE e só agora veio a autorização da UE para avançar a obra.

Quanto à de Girabolhos e às Gravuras. No Côa, no Baixo Sabor, no Alqueva também não se conheciam gravura ate se ir lá fazer prospecção. Quem sabe se não aparecerão gravuras?

Ouvi dizer que este mês saia o plano nacional de barragens. Aí logo se verá se o plano hidro-eléctrico do mondego vai avançar ou não.
 
A ideia que se tem por aqui é de que aquilo chega-se lá e não se vê nada das pinturas...que não existem infra-estruturas para se chegar aos locais e apreciar a Arte.
Mais um projecto de mentira, pura fantuchada eleitoral...


Bjs
 
De facto o nosso parque do côa em nada tem a ver com o parque de Altamira. Até nisso tivemos azar. Por lá observam-se pinturas ruprestes. Por cá, e muitas delas a grande custo, observam-se gravuras. Continuo, volvidos estes anos e conhecendo a realidade que aqui comentas, a duvidar da assertividade da opção tomada. Os próprios autóctones continuam, na sua maioria, a achar que a barragem era melhor e tinha mais utilidade. Ainda penso que teria sido possível conciliar as duas vertentes.
 
Cumprimentos.

Sou da opinião que se deveria optar por uma posição que defendesse a construção da barragem e a preservação das gravuras rupestres, naquela que é também uma zona esquecida do nosso país.

um abraço
 
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António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


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