NEOARQUEO
11 novembro 2007
  Castro de Bom Sucesso - Chãs de Tavares

Nunca me detive muito a falar de Chãs de Tavares, é verdade. Não há qualquer razão que não apenas a casual escolha dos sítios sobre que falar e escrever.
Mas hoje, e durante alguns posts vou dedicar-me a esta vetusta e nobre terra do chamado “Alto Concelho”. E começo por referir que a Freguesia de Chãs de Tavares é constituída por 9 povoações e por cerca de 20 Quintas, se não me falham a memória e as fontes de investigação. Estas povoações até meados do séc. XIX faziam parte do Concelho de Tavares, cuja sede era precisamente a aldeia de Chãs de Tavares.
Na Idade Média teve foral concedido ainda eram estas terras pertença do Reino de Leão. Foi justamente o Conde D. Henrique e a Condessa D. Teresa quem o outorgaram no ano de 1114.
Mais tarde, em 31 de Dezembro de 1853 o Concelho foi extinto e o seu território foi anexado ao Concelho de Mangualde. Aliás, é nesta altura que o Concelho de Mangualde se vê largamente ampliado, pois recebeu também as freguesias de São João da Fresta, Travanca de Tavares, Várzea de Tavares e Abrunhosa-a-velha, que deixara de ser concelho.
Quanto à ocupação mais remota das terras de Chãs de Tavares sem dúvida que o vestígio mais importante é o Castro do Bom Sucesso.
Este Castro, inserido num período cronológico-cultural que podemos genericamente apelidar de lusitano-romano, situa-se no cimo do monte com o nome já referido, com uma altitude de 756 metros, e a cerca de 1 km a nordeste da povoação. Actualmente o monte encontra-se coberto de afloramentos graníticos, zonas de matagal e pinhal.
O castro está totalmente destruído, porém ainda são visíveis, na sua parte mais alta, restos de antigas casas (as que em 1984-5 vimos eram todas de planta rectangular). À superfície não encontrámos qualquer tipo de espólio. Posteriormente, em 1989, com a abertura de um estradão, grande parte do solo fora revolvido dando origem a inúmeros achados arqueológicos: centenas de fragmentos cerâmicos, pesos, contas de colar, escória, etc.).
Estes achados permitem concluir que o Castro teve várias fases de ocupação humana, ao longo dos tempos.
Essa análise fica para o próximo post.
 
<$Comentários$>:
Espectáculo!...
Fico curioso pelo próximo “post”.
Um abraço amigo
Alex
 
Desculpe caro amigo Tavares, uma pequena correcao: o concelho de Tavares que ate tem o seu nome, abrangia as fregesias das Chas, da Varzea e a de Travanca de Tavares, S. Joao da Fresta e anteriormente tambem a Abrunhosa-a-Velha, que so tera sido concelho provavelmente a partir do seculo XVI.

Um abraco de amizade.

PS: Entao esse livro sobre as sepulturas ja saiu?
 
Abrunhosa-a-Velha, juntamente com Vila Mendo de Tavares, formou um pequeno concelho senhorial no séc. XVIII.
O Senhorio deste concelho foi dado por D. Maria I a Miguel Pais do Amaral em 17-08-1778. Renovado pelo monarc seguinte, D. João VI, em 04-05-1822.
Como a doação do senhorio era por uma vida e não foi renovado nos sucessores de Miguel Pais do Amaral, extinguiu-se com a morte deste, assim como o uso do título de "vila".
 
Caro PPN:

Depreendemos entao, que a morte de Miguel Pais do Amaral, a Freguesia da Abrunhosa-a-Velha, voltou a fazer parte do concelho de Tavares?!
Afinal eu estava errado nao foi a partir do seculo XVI, mas sim no seculo XVIII, mais propriamente 1778. Nao ha como ter amigos que sabem!

Um abraco.
 
Já aprendi mais outra coisinha. Aqui é assim, tá-se sempre a aprender :-)

Deixo-te o desafio de ires 'lá' tu explicar a diferença entre a técnica Renascentista e Cubista na pintura ;-)

Bjs
 
caro Al
Ao contrário do que eu disse o concelho não foi extinto com a morte do Miguel Pais do Amaral, mas sim com a reforma de Mouzinho da Silveira.
Em breve contou publicar um artigo sobre este tema, estou à espera da documentação da torre do tombo.

um abraço
 
Caro PPN:
Mas para que fique assente, ate ao seculo XVIII a freguesia da Abrunhosa-a-Velha pertencia ao concelho de Tavares, nao e assim?
 
Caro Al
Abrunhosa e Vila Mendo só deixaram de estar sob a jurisdição do concelho de Tavares durante o período que durou o senhorio dado a Miguel Pais do Amaral.
 
Bem haja caro PPN.
 
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António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


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