NEOARQUEO
08 outubro 2008
  Moita da Oliveira-ALMEIDINHA

Em Almeidinha existe um prédio ou, como é mais habitual dizer-se, um terreno denominado de Moita da Oliveira. Em 1985, aquando da “batida de campo” levada a efeito por mim e pelo meu amigo e colega Dr. Luís Filipe Coutinho, demos conta de duas sepulturas escavadas na rocha, bem como à superfície dessa mesma terra se podiam encontrar muitos e diversos fragmentos de materiais cerâmicos romanos. Naturalmente os mais habituais: tegulae (telha plana), imbrices (telhas em cano), dolia (vasos de grandes dimensões), bem como alguma cerâmica fina e comum. Apareceu também um fragmento de “terra sigillata” do tipo hispânico. Como já referi em artigos anteriores este tipo de cerâmica era uma baixela fina, de ir à mesa, e apenas presente na casa de famílias abastadas.
Quando visitámos o local fomos lá conduzidos pela pesquisa bibliográfica: Leite de Vasconcelos estivera lá na véspera do Natal de 1894. Já nessa época o ilustre Mestre encontrara restos idênticos aos que nós recolhêramos. Também Leite de Vasconcelos dera conta das sepulturas escavadas na rocha, só que naquela época ele registou quatro, enquanto que a nossa batida, como acima já referi, apenas referiu duas delas.
Numa centena de anos duas destas sepulturas foram destruídas…
A última vez que lá fui foi precisamente nessa batida de 1984-85. Não voltei lá entretanto. Espero e faço votos para que nestes 23 anos ainda se lá mantenham as duas sepulturas…
José Leite de Vasconcelos, pelo manancial de elementos recolhidos concluiu existir ali um povoado ou uma villa romana. De igual forma nós tirámos o mesmo tipo de conclusão, dado que a cerca de 200 metros do local passa uma via romana que ainda conserva alguns troços lajeados.
Acrescento eu hoje que, indubitavelmente, estaremos na presença de ruínas romanas (sejam elas quais forem, pois só escavações nos poderiam elucidar sobre o tipo) e que provavelmente aquele sítio teve uma ocupação humana permanente, isto é, sem interrupção conforme provam as sepulturas ali presentes e que são da Alta Idade Média (Séculos VII-XI).
Assim, Almeidinha tem as suas prováveis origens na época romana, com continuidade de ocupação humana pelos séculos fora até aos dias de hoje.
Não estou certo a 100% que assim seja, pois apenas me baseio na junção e interpretação de alguns vestígios arqueológicos, mas o facto de também a via romana por ali passar funcionou, tal como hoje funcionam as nossas vias de comunicação, como aglutinadora e fixadoras das populações aos locais.
 
<$Comentários$>:
Tambem faco os mesmos votos de que as duas sepulturas ainda la se encontrem!

Um abraco de amizade do dalgodrense.
 
Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]





<< Página inicial
Espaço para reflexões sobre Património Cultural, Arqueologia, Historia e outras ciências sociais. Gestão e Programação do Património Cultural. Não é permitida a reprodução total ou parcial de qualquer conteúdo deste blog sem o prévio consentimento do webmaster.

A minha fotografia
Nome:

António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


Arquivo
Setembro 2005 / Outubro 2005 / Novembro 2005 / Dezembro 2005 / Janeiro 2006 / Fevereiro 2006 / Março 2006 / Abril 2006 / Maio 2006 / Junho 2006 / Julho 2006 / Agosto 2006 / Setembro 2006 / Outubro 2006 / Novembro 2006 / Dezembro 2006 / Janeiro 2007 / Fevereiro 2007 / Março 2007 / Abril 2007 / Maio 2007 / Junho 2007 / Julho 2007 / Setembro 2007 / Outubro 2007 / Novembro 2007 / Fevereiro 2008 / Abril 2008 / Maio 2008 / Setembro 2008 / Outubro 2008 / Novembro 2008 / Dezembro 2008 / Março 2009 / Abril 2009 / Maio 2009 / Junho 2009 / Julho 2009 / Agosto 2009 / Setembro 2009 / Outubro 2009 / Dezembro 2009 / Janeiro 2010 / Abril 2010 / Junho 2010 / Setembro 2010 / Novembro 2010 / Janeiro 2011 / Fevereiro 2011 / Março 2011 / Abril 2011 / Maio 2011 / Junho 2011 / Julho 2011 / Agosto 2011 / Setembro 2011 / Outubro 2011 / Novembro 2011 / Dezembro 2011 / Janeiro 2012 / Abril 2012 / Fevereiro 2013 / Junho 2013 / Abril 2016 /




Site Meter

  • Trio Só Falta a Mãe
  • Memórias de Histórias
  • arte-aberta
  • Rede de Artistas do Arte-Aberta
  • Museu Nacional de Arqueologia
  • Abrunhosa do Mato
  • CRDA
  • Instituto Arqueologia
  • Terreiro
  • O Observatório
  • Domusofia
  • O Mocho
  • ACAB
  • O Grande Livro das Cabras
  • Teoria da conspiração e o dia dia do cidadão
  • O meu cantinho
  • Escola da Abrunhosa
  • O Fornense
  • Um Blog sobre Algodres
  • d'Algodres:história,património e não só!
  • Roda de Pedra
  • Por terras do Rei Wamba
  • Pensar Mangualde
  • BlueShell
  • Olhando da Ribeira
  • Arca da Velha
  • Aqui d'algodres
  • n-assuntos
  • Universidade Sénior Mangualde
  • Rotary Club de Mangualde
  • galeriaaberta
  • Francisco Urbano
  • LONGROIVA
  • Kazuzabar