NEOARQUEO
26 outubro 2008
  Poço Moirão - Abrunhosa-a-Velha
Em terras de Abrunhosa-a-velha, junto ao Rio Mondego, ou Munda, como era denominado na Antiguidade, existe um topónimo que é o “Poço Moirão”.
O nome deste lugar já por si é sugestivo da provável existência de vestígios de ocupação antiga pelo homem.
Foi precisamente pela pesquisa toponímica que, em 1985, eu e o meu amigo Luís Filipe Gomes aí nos deslocámos, enquanto estudantes de Arqueologia na Universidade de Coimbra.
Com efeito, a cerca de 100 metros do rio e a sensivelmente 150 metros das ruínas de uma ponte antiga, encontrámos, espalhados numa área não muito extensa, alguns restos cerâmicos de construção, habitualmente atribuídos à época romana: tegulae, imbreces (telhas planas e de cano) e tijoleiras. Assim, e á primeira vista este terreno acusa uma ocupação da época romana porém, alguns autores como João Inês Vaz, alegam que este tipo de materiais deverá ter perdurado desde ocupação romana e por toda a alta Idade Média.
Não estamos, desta forma, e baseados apenas nos escassos vestígios encontrados, em condições de categoricamente afirmar se estaremos na presença de ruínas de algum casal ou de alguma estalagem de muda que prestaria apoio à travessia do rio de origem romana ou medieval.
É, contudo, acertada a convicção de se tratar de um sítio arqueológico remoto.
Fará sentido supor-se que ali terá havido uma estrutura arquitectónica de apoio á via romana que vinha de Guimarães de Tavares e que, provavelmente, passando por Vila Mendo de Tavares seguiria para a outra margem? Seria aqui o ponto de transposição do rio Mondego?
Convém lembrar que neste local existem restos de uma ponte antiga, cujas pedras apresentam um corte bem definido e aparelhado. Perante estes vestígios não é possível, de igual modo, concluir em que época foi construída essa ponte. Muito provavelmente é posterior à época romana.
Na mesma área e inseridas no mesmo contexto dos vestígios cerâmicos atrás referidos encontrámos duas sepulturas escavadas na rocha. A sua tipologia é oval e destinavam-se ambas a crianças, pois medem apenas cerca de 80 cm.
Declaradamente as sepulturas apontam o Poço Moirão, ou Barca Velha, como também se denomina este lugar, para uma cronologia da Idade Média Alta.
Mas, como tantas vezes acontece surgem mais questões que conclusões, e aqui vão elas:
1- Poço Moirão – Romano ou Medieval?
2- Poço Moirão – Origem romana e com continuidade ininterrupta pela idade Média?
3- Poço Moirão – Local de apoio à ponte que remotamente faria a travessia do rio “Munda”?
É isto meus amigos leitores que torna fascinante o mundo da Arqueologia…Nem sempre as respostas finais são tão romanticamente sedutoras quanto as questões que inicialmente nos desafiam à pesquisa.
 
<$Comentários$>:
pois é António faltam umas sigillatas para acabar com as dúvidas.
Mas a hipótese de ocupação romana deverá ter força, atendendo à passagem da via romana que seria por aí.
abraço
PPN
 
Este blog foi distinguido com o Prémio Dardos

Ver em: http://banhosquentes.blogspot.com/
 
Olá António Tavares!

Sem se fazer escavações será difícil concluir qualquer coisa mais acertada.
Se fosse possível bem se podia pôr a malta nova, que até gosta destas coisas, a revirar tudo nas férias grandes.

Um abraço
 
E pensar que a insensabilidade de certas pessoas é tanta que, quando descobrem vestígios de civilizações antigas, pura e simplesmente, destroem ou utilizam como cabouco para fazer alicerces de simples muros ou até moradias.
Tenho conhecimento, por informação oral e imprecisa quanto aos locais duma determinada área, que, não há muitas décadas, restos de construções romanas ao serem postas a descoberto por movimentação de terras para preparação de terrenos destinados a executar projectos imobiliários, são desmantelados e mantidos enterrados, alguns como estatuetas desaparecem.
Uma pena, mas ainda acontece com frequência.
Um abraço, amigo Tavares
 
Boas perguntas, a que talvez um dia uma intervenção arqueológica possa dar resposta!
Um abraço,
 
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António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


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