NEOARQUEO
01 dezembro 2008
  Por terras de Guimarães de Tavares
Nas belas terras de Guimarães de Tavares donde se avista uma paisagem extraordinariamente bela sobre a Serra da Estrela existiu, por volta do século III da nossa era, ocupação romana. Pelo menos são as conclusões retiradas da campanha de escavações levadas a efeito por Clara Portas, Marques Marcelino e pelo saudoso e meu grande amigo Fernando Daniel.
O espaço de que falo é localmente denominado por Quintas do Costa.
Foi, de facto, no longínquo ano de 1983 que esta equipa procedeu a escavações, liderando na altura uma equipa de jovens que não se perderam para estas coisas da arqueologia, pois muitos deles vieram mais tarde a participar nas escavações da citanea da Raposeira, em Mangualde.
Na época romana era natural e usual que os senhores vivessem na villa (casa grande) e esta era mais ou menos luxuosa, dependendo obviamente da maior ou menor riqueza do proprietário. Ao lado, perto, existiam as habitações destinadas aos criados que serviam a casa e cultivavam os terrenos agrícolas do senhor.
Foram estas habitações da criadagem que foram postas a descoberto naquele Verão de 1983, nas Quintas do Costa. Ficou por detectar a villa nas proximidades…
A par das estruturas expostas foi encontrado e recolhido diverso material: cerâmica diversa, Terra sigillata (louça fina de ir à mesa, sobretudo em dias especiais), pesos de tear, uma mó manuária, ferros oxidados, alguma escória.
Perto desta estação arqueológica passa a via romana que apresenta ainda um, troço lageado bem conservado.
 
<$Comentários$>:
O modo como a ACAB teve conhecimento deste sítio é interessante e ilustra o quanto é importante falar e divulgar o nosso património como tu aqui tão bem fazes.
Nos inicios da década de 80 do séc.XX durante uma conferência promovida pela ACAB sobre Arqueologia, proferida por Jorge de Alarcão, o Sr. Natalino proprietário do local disse que tinha lá umas coisas parecidas com as que Jorge de Alarcão estava a falar.
Visitado o local comprovou-se serem vestígios romanos e promoveram-se duas campanhas arqueológicas.
De referir a papel importante do Sr. Natalino, proprietário do local, que disponibilizou livremente as suas terras e pelo menos até ao Verão de 2004 mantinha as terras tal e qual como tinham sido deixadas pelos responsáveis da intervenção arqueológica.
 
Andei por lá (Guimarães de Tavares e Raposeira) a esgravatar com um grupo de amigos do liceu de Mangualde.
Foi muito gratificante - uma boa ocupação de tempos livres.
Tenho pena que não se repitam noutros locais do nosso concelho onde se sabe que há estudos a fazer.

Abraços
 
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António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


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