NEOARQUEO
24 agosto 2009
  As RELIGIÕES DA LUSITÂNIA

A religião é intrínsecamente antrópica. Faz parte da genética humana. Desde tempos pré-históricos. São vários e abundantes os testemunhos arqueológicos, históricos, e outros que assim o provam. Naturalmente que o Homem tem por opção - opção é uma condição exclusivamente humana - não ter religião, não acreditar, não praticar. A religiosidade é incalculavelmente mais antiga que a a não-religiosidade, colocando as coisas neste plano muito linear e sem preocupações de ordem filosófica ou antropológica.
José Leite de Vasconcelos, o Pai da Arqueologia em Portugal, interessou-se sobremaneira por estas questões nos finais do século XIX. A vasta colecção que este insígne mestre deixou no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, é o resultado das imensas viagens e recolhas que fez.
Na colecção do MNA posdemos encontrar o monumento que está na foto. Trata-se de uma ara (altar)romana, em granito e que foi consagrada a NABIA, por Cícero, filho de Mancius. Data do século I d. C. e é proveniente de Roqueiro, Sertã, Distrito de castelo Barnco.
Mas, na obra que Leite de Vasconcelos escreveu, "RELIGIÕES DA LUSITÂNIA", o autor interpreta magnificamente o pensar e o agir religioso do homeme antigo. Diz assim:" Entrar num bosque, rico de árvores seculares e gigantescas, onde a grandeza dos vegetais causa espanto, e as próprias sombras infundem mistério, era para os antigos(...)fonte de sentimento religioso".
Mais escreve: "Em virtude da admirável propensão do homem para a personificação e mesmo às vezes dramatização, quer dos grandes espectáculos naturais, como o giro dos astros, as mudanças da atmosfera e das estações, a agitação dos mares, os vulcões, os terramotos, quer dos fenómenos, do crescimento das plantas, da vida dos animais, tão semelhante à dele, do deslisar, ora pacífico, ora tumultuoso dos rios, e do marulho sempre suave das fontes, não é de estranhar que entre os cultos antigos se encontre, ao lado do das correntes fluviais, (...) também o das Fontes".
As considerações e interpretações que o autor faz das antigas formas de religião não se esgota nestes dois excertos. No entanto, são suficientes para perceber em que medida o Homem, ao longo dos tempos, foi fazendo evoluir as sua própria forma de religiosidade e levar-nos a reflectir se nos dias de hoje essa religiosidade se mantém inalterada, ou não, quanto ao conteúdo e quanto à forma e rituais.
 
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António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


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