NEOARQUEO
08 novembro 2005
  Casa dos Faros - Santo Amaro de Azurara

Segundo a carta de armas concedida por D. José I, em 26 de Janeiro de 1756, a Bernardo José do Couto da Costa Faro, de Lobelhe do mato, a família dos Faros descendia “do verdadeiro tronco dos nobres e antigas linhagens dos Costas, Sampaios e Coutos que neste reino de Portugal são fidalgos de linhagem e cota de armas”. O mesmo documento aponta-nos para o membro mais antigo da Família, Henrique da Costa faro, fidalgo da casa real, que segundo a tradição, vivia nobremente em Lisboa no reinado de D. Sebastião, sendo degredado para o concelho de Zurara no tempo de D. Filipe I por não seguir o seu partido. Estamos, portanto, no final do século XVI. Nos finais do século seguinte já a família aparece instalada no lugar de Cães de Cima, hoje Santo Amaro de Azurara. A actual casa, construída provavelmente no séc. XVIII, é propriedade do Sr. Eng. Fernando Brito e Faro. Desenvolve-se horizontalmente numa fachada longa e simples, articulada com pilastras lisas e pouco salientes. Pormenor interessante a registar, é o facto da casa estar ligada à capela por uma construção em arco, por passar ali um caminho público que dá acesso ao outro lado da aldeia. É daqui que emerge um magnífico frontão barroco rompendo a linha do telhado, onde é colocado o brasão com as armas dos Faros, Coutos, Sampaios e Costas. A capela, dedicada a Stª Quitéria, não perturba a composição, sujeitando-se às linhas da fachada. Apenas se destaca um frontão quebrado sobre a porta principal. In Casas Solarengas no Concelho de Mangualde, de Anabela dos Santos Ramos Cardoso.
 
<$Comentários$>:
Aqui respira-se sabedoria e conhecimento.
Vou por aqui passando... de vez em quando.
Um abraço.
 
Esta casa é, de facto, muito peculiar. Por ela se passa para o Bairro do Penedo e para o "terreiro" do tanque.
Deixo uma questão ao TSFM: a designação de Cães de Cima era mesmo essa ou era Caes de Cima? Pergunto isto porque a explicação que me deram para esses dois nomes, Caes de Baixo e Caes de Cima, teria a ver com a proximidade do caminho de ferro e de um cais de embarque. E, realmente, nas minhas memórias de miúdo guardo uma imagem com as placas indicadoras ao cruzamento daquela que hoje é a casa da GNR e não consigo "visualizar" o til sobre os A's de Caes.
 
Caro JL o termo deveria ser mesmo cães.
Já nas Inquirições de 1258 aparecem estas duas localidades. Nesta altura ainda nem se pensava em Caminhos de Ferro.
Mais refiro que esta casa está classificada como Imóvel de Interesse Público.
 
Obrigado Pedro. Já agora, há alguma explicação para esse nome ou nem por isso?
 
Interessantíssimo! Eu, realmente, não sabia destas coisas e fico mais rico em conhecimento.
 
Realtivamente a Cães de cima ou de Baixo (Santa Luzia), a origem do topónimo não entronca no plural de cão, mas sim no plural de "cale" (>cales>"caes"), que são condutas agrícolas de rega. Vem do latim Canales.
 
Huuummm... Realmente aquela zona é próspera em água e os terrenos dali estão registados como "Barrocas". Interessante.
 
Barrocas, Areais, Areeiro, Penedo, Fontes do vale, Bugalhal etc, etc, muitos registos, todos Sto Amaro de Azurara (Ex. Cães de Cima). Sobre o assunto mais tarde voltarei, concordo desde já com o TSFM no seu último comentário. Depois mais direi sobre a minha terrinha. Quanto a esta casa estar classificada como Imóvel de Interesse Público, é verdade, é pena que as autoridades competentes não o saibam ou então não querem saber. A construção junto a esta é feita sobre o joelho e alguma até, patrocinada pelas entidades responsáveis de Mangualde.
Já agora TSFM, queres uma foto?
 
Meu caro jl, do "Terreiro do Chafariz" é que se passa por baixo do arco da casa, para o "Largo do Paul" e este sim é que tem o tanque e a Capela. Ah pois é, muitos anos a passar por estes "Terreiros".
 
António, envia a foto, claro que gostaria de a ter.
 
desconhecia a etimologia da palavra. não é uma área sobre a qual me debruce muito.
Quanto há construção em volta da casa, se acham que existe indicios de ilegalidades há que o manifestar às entidades competentes, neste caso o Instituto Português do Património Arquitectónico (www.ippar.pt).
 
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E a tal pia?! Para os animais retemperarem forças, saciando a sede de uma caminhada, para que os seus donos (que iam descalços) vendessem á cidade o fruto do seu trabalho. Como na imagem não vejo nenhuma pia tenho que perguntar, António, esta imagem é recente ou é posterior a Dom Diogo? A tal pia da “luta” de "alguns" populares existe mesmo? Alguém tem imagens?
 
Greensky, quanto à pia, não tenho foto. Porém, devo dizer-te que os donos dos animais que bebiam nela íam descalços, como afirmas, mas não era à cidade, mas sim à vila; na altura ainda não era conhecido o conceito "MEREC".
 
Santo Amaro de Azurara
Um Povo com História[1]


Santo Amaro de Azurara, assenta num vasto e fértil vale agrícola, o velho núcleo primitivo, dista 1 Km da sede da Freguesia, enquanto que as novas urbanizações das Barrocas, Hortinhas, Tojais, Carcereiras e Mata da Casa de Cães de Cima, ou da Portelada, demarcam a malha urbana da Cidade.

O nome primitivo era Cans de Suso, proveniente do longínquo plural latino canales, mais tarde, séc. XVII, grafou-se Cainz de Sima[2] depois Cãis de Cima; na origem do nome, um local onde havia “canales” canais de irrigação.[3]

Até, que por decreto n.º. 41664 de 6 de junho de 1958, passou a denominar-se Santo Amaro de Azurara, era então presidente da Republica Francisco Higinio Craveiro Lopes, Presidente do concelho de ministros António Oliveira Salazar, ministro do interior Joaquim Trigo de Negreiros. (será que João Lopes antes desta data, já tinha nascido e sabia ler?.)



Povoação muito antiga

As referências a este lugar aparecem em 1211 e 1384 com queixa ao Rei, pelas tomadias e contra a prepotência que certos fidalgos praticavam na povoação de Cãins de Cima. Vexando o povo e violando os seus direitos

Em 1527 aquando do primeiro arrolamento da população, dele se verifica que a população de Caís de Cima era de foram 16 habitantes, enquanto que na sede de Freguesia, São Julião de Mangualde os habitantes eram 37



Nota.

Reforço e acrescento a da origem do nome “ canales de irrigação,” é de salientar o facto de ainda hoje o povo conhecer o lugar de “Vale dos canos” ao fundo da quinta de baixo junto ás Regadas.

Percorrendo a zona desde as lameiras aos areias e todo o vale da lavandeira ás roçadas ao nascente, pode verificar-se a veracidade dos canais ainda hoje bem activos, merecem um estudo aprofundado, porque existiam pequenas represas nos ribeiros e transvasos laterais (poças de pé) com o mesmo significado e complementares uns dos outros, todos se destinavam á rega agrícola.



Alexandre Alves diz que; “Nas Inquisitiones de D. Afonso II, de 1258, aparece grafado CANES, ao modo latino; em 1288, no tempo de D. Dinis, escreveu-se, em vernáculo, CAENS DE SUSO”.

Também se reforça o facto de Caes de Cima se grafar no Seculo XVII Cains de Sima[4]

Cans de Suso e cans de Juso significa canais a montante e canais a jusante. Caes de Cima e Caes de Baixo)

Outra Toponímica de locais em Santo Amaro de Azurara, que não só Barrocas

Lavandeira : derivado Lavand-eira, de “lavar” ( com raíz pré-romana lav “água”): assim, do n. Comum “lavandeira” , corrente (riacho, arroio) onde se podia lavar. Daí muito frequente: 1258 “una lavandeyra”. Topónio muito frequente, devido á corrente de água .



Barrocas : Topográfico e geo-hidrológico: derivado Barr-oca, com barr pré-romano e-occa ( um arroteamento na origem).



Tojal : Derivado toj-al, de “tojo” (origem pré-romana).



Crasto: Nome devido a uma fortificação castreja:


Ribeira : Muito frequente: na “riba” de um curso de água, ou espaço largo e desafogado. Derivado de Rib-eira.
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[1] Recortes do trabalho iniciado, ainda não concluído sobre Santo Amaro de Azurara (por João Ferreira)

[2] Cabido de Viseu. – 10 De Novembro de l685

[3] “ A. Almeida Fernandes. - Toponímia da B. Alta.

[4] Cabido de Viseu. – Escritura de obrigação de sustentação da capela de Nossa Senhora da Concepção 10 de Novembro de.1685.
 
Olá
Sendo eu filha de Luis da Costa Faro, meu avô António da Costa Faro,
meus tios Teresa da Costa Faro e Afonso da Costa Faro-
-----------------------------
António da Costa Faro, nasceu em Sangemil - Gostaria eu de saber quem foram os meus Bizavôs?
Porque deve ter havido registos ..

cumprimentos
Cecília Maria C. Faro
 
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António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


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