NEOARQUEO
03 novembro 2006
  Cova da Moira...Vila Nova de Espinho


As sepulturas escavadas na rocha são um dos testemunhos mais importantes da ocupação medieval dos territórios. Muitas vezes o único. Estes monumentos que se aceita serem da Alta Idade Média (séc VI a XI) são frequentes em toda a Beira Alta. Foi depois dos trabalhos de Alberto del Castillo que a problemática da cronologia deste tipo de sepulcros ficou definida. Para este autor existem grosso modo duas grandes fases de construção: séc VI a IX, onde predominam as sepulturas de tipologia oval e/ou rectangular. A fase mais tardia é típica do século X ao XI e está-se perante exemplares antropomórficos. É no século IX que se dá a transição da primeira para a segunda época, com o aparecimento da delimitação da cabeça. Hoje os trabalhos versando este tipo de arcazes inicidem sobretudo na aferição de formas de povoamento, da ocupação humana dos territórios, mentalidades e rituais funerários do homem alto-medievo.
Hoje gostaria de falar um pouco da sepultura que se encontra numa das vinhas da Quinta dos Carvalhais, da Sogrape, em Vila Nova de Espinho:
A estação é composta por uma campa que surge num planalto, outrora um mimosal, mas que actualmente é vinha. Está isolada. Antropomórfica, de forma rectangular, mas de ângulos suavizados, apresenta uma cabeceira diferenciada do corpo apenas por um ombro, o direito. O leito é bastante plano e evidencia um perfil de ângulos rectos. Tem uma profundidade média de 35 cm.
Na rocha que serve de suporte a este túmulo estão gravadas as seguintes inscrições: uma cruz no lateral direito, junto ao ombro e logo a seguir uma pequena covinha; na zona das pernas aparece insculpida uma nova cruz. No lateral esquerdo está gravado um R, a data 1714 e por baixo desta novamente uma cruz. Trata-se de uma sepultura de adulto.
Nos terrenos não aparecem vestígios arqueológicos de qualquer espécie, porém o arcaz, embora isolado, faz parte do aglomerado de sepulturas que aqui existe. A cerca de 200 metros está o monumento megalítico da Orca dos Padrões.
O acesso a esta sepultura é feito pela estrada municipal de Vila Nova de Espinho a Outeiro de Espinho. Long 7º 46,4235'; Lat 40º 33,2871, Alt 525m. Comprimento: 185cm, Largura: 43. Orientação cardial a 330º.
É um exemplar já referido por L Vasconcellos em 1917, Gomes e Carvalho em 1991, António Tavares em 1999 e por M. Marques em 2000.
Actualmente preparo um trabalho a publicar brevemente onde este exemplar é uma vez mais estudado.

 
<$Comentários$>:
Belo exemplar
 
Mudasti, MUDASTI ...
Casa NEO meu amigo ARQUEO.

Abraços
 
espectáculo...Cova da Moira...está bem conservada, penso eu de que :-)

Qd voltar a essas terras tenho que ir verf a ANta do post abaixo.

ps- por iasso é que ontem ná conseguia aceder ao blog...cara nova...gosto mt mais deste...está mt 'limpinho'/com luz e bonitinho :-)
 
No ano passado quando andava aos míscaros perto das Chãs de Tavares, numa mata a seguir ao cruzamento para Guimarães de Tavares, está também uma sepultura escavada na rocha, não sei se tem conhecimento da sua existência.
 
Uma coisa intrigante, e uma data do seculo XVIII ai gravada, com as tais cruzes que se assemelham a cruzes da Ordem de Cristo, encontra alguma explicacao?

Um bom fim de semana.
 
Mui bonito!
Um "Face Lift" à Lili Caneças!

Afinal havia mais... é que quando fui à orca (vi-me à rasca para a encontrar) não sabia da existência desta sepultura. Assim, um dia destes terei que lá voltar para dar uma espreitadela.

As coisas que se aprendem!
Abraço
 
Amigo António, conheço essa sepultura. Está inclusivamente publicada no meu pequeno livro "Sepulturas escavadas na rocha no Concelho de Mangualde".
 
Amigo Al, tais inscrições como a data e as cruzes, a mim parece-me que são de todo posteriores à construção da sepultura. Nada têm a ver com ela no contexto em que ela se insere, quer históri quer cronologicamente. Existem outras sepulturas, mesmo aqui em Terras de Azurara que exibem outro tipo de insculturas, bem como cruzes, inclusivé, que terão tudo a ver em termos "culturais" com elas. Mais adiante publicarei esses exemplares. Não o faço já para "diversificar" o mais possível os posts do NeoArqueo.
 
Decididamente estou a sentir-me bem com esta minha renovada ligação às terra de Mangualde, às pessoas particularmente, a tal ponto que estou a pensar colocar no meu blog um capítlo de links para "por terras da Beira Interior", Viseu, Mangualde, etc.
Um abraço, Tavares, tem aqui um belo trabalho. Pode dar mais referências do seu livro a que se refere num comentário ao post? Gostava de o adquirir.
 
Caríssimo amígo ASN,O livro tem o título que escrevi acima e pode ser encontrado na Câmara Municipal de Mangualde, pois é uma edição daquela entidade.
 
Também conheço essa que é referida pelo António e que me foi dada a conhecer pelo TSFM.

Gosto do novo aspecto!
 
Caro Tavares:

Esta coisa de se querer cristianizar as sepulturas escavadas na rocha, parece que ja e coisa de ha muito tempo era-o ja no seculo XVIII pelo menos pelo que vejo nas gravacoes dessa.
Tambem na necropole das Forcadas (Fornos de Algodres) em tempos recentes foi decido colocar um cruzeiro.
Que os que ai foram sepultados, se nao eram cristaos que os perdoem.
 
Conheces as de Trancoso, junto ao tribunal? Nasci em Lisboa mas a minha terra é Trancoso, que visito sempre que posso, não tantas vezes quanto gostaria... Boa semana.
 
“Se aproveitarem bem os estudos, se estudarem muito, se fizerem os trabalhos de casa e um esforço para serem espertos, serão capazes de se desenrascar e de se darem bem, senão, dão convosco enterrados na Assembleia da República”. – Quitéria Barbuda.

www.riapa.pt.to
 
Obrigada pela partilha.

(venho à blogosfera nos intervalos ou qdo já estou muito cansada e é bom saber que não venho em vão.) :)



Fica o tal abraço.
I.
 
Por aqui continuamos a ser brindados com artigos de grande qualidade cultural para alimentar o nosso intelecto com mais conhecimentos.

Um abraço

PS - Achas que no senhor Ferraz se pode encomendar uma destas? Ou é pesada?
 
As coisas que tu sabes...rapaz!
E eu agradeço pois não sabia nada disso!
beijito
BShell
 
Outeiro de Espinho
Long 7º 46,4235'
Lat 40º 33,2871"

E esta foi aquela que mais dificuldade tivestes em encontrar antes da era do GPS...

:-)
 
Podes crer Xandinho, para mim sempre foi muito dificil localizar na Carta Militar um achado arqueológico. Tu lembras-te, pois foram várias as batidas de campo que fizemos juntos.
 
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António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


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