NEOARQUEO
01 janeiro 2011
  Restauração da Indepência
Tradicionalmente assim se designa o movimento histórico que devolveu a Portugal a plena autonomia, a partir de 1 de Dezembro de 1640, após o domínio espanhol iniciado por Filipe de II desde 1580. Com a morte de D. Sebastião em Alcácer Quibir e após o precário reinado do Cardeal D. Henrique, Filipe II, pela força das armas impõe os seus direitos de sucessão à Coroa Portuguesa. No ano seguinte, pelas Cortes de Tomar, este monarca jura manter todas as prerrogativas de autonomia de Portugal como Estado e Nação, ligando assim este reino ao de Espanha num regime de monarquia dual. Porém, tais promessas foram rapidamente esquecidas, adulteradas e traídas. Este clima de desrespeito pelo estipulado nas Cortes foi agravado pelos sucessores de Filipe II. Paulatinamente foi-se criando o pano de fundo que iria proporcionar o movimento “restaurador”: violação dos privilégios tradicionais, empobrecimento geral, agravamento de impostos, arrastamento de Portugal para as lutas europeias em que Espanha se envolvia. Portugal Vê também os seus territórios ultramarinos envolvidos em disputas com os Holandeses e outros devido ás relações hostis com Espanha.
A Restauração, significa então, e em primeiro lugar, o restabelecimento do Estado Português na plenitude da sua soberania.
O grupo de conspiradores promotores do 1 de Dezembro de 1640 era constituído essencialmente por nobres e juristas e fez aclamar o Duque de Bragança, D. João, como rei, senhor legítimo do trono português. Contrariamente a 1385, em que D.João I foi aclamado e legitimado pelas cortes, neste movimento as Cortes reuniram-se um ano depois, já com o Duque de Bragança em pleno reinado. A coroação de D. João IV foi feita em Lisboa, no Terreiro do Paço a 15 de Dezembro de 1640, em cerimónia de grande pompa, perante os altos dignatários da Nobreza, do Clero e debaixo de entusiásticos aplausos populares.
Naturalmente que Espanha não aceitou nem assistiu a toda esta sucessão de episódios de braços cruzados. Várias foram as investidas perpetradas pela Coroa Espanhola no sentido de recuperar Portugal: batalha do Montijo (1644), das Linhas de Elvas (1659), do Ameixial (1663) e de Montes Claros (1665).
Foram precisos cerca de trinta anos para que Espanha em definitivo aceitasse e reconhecesse a legitimidade da Independência de Portugal e da Dinastia de Bragança, através do tratado de 1668.
Pela segunda vez na História Portugal afastou os Espanhóis dos destinos de Portugal.
E hoje, em plena União Europeia, em que as fronteiras são apenas geográficas, em que as grandes decisões políticas foram transferidas para Bruxelas e para as “Cortes” de Estrasburgo, que relações existem entre estes dois povos independentes e que se respeitam?
De que forma se vai escrever a História daqui para a frente? Viva Portugal e viva a Espanha.


PS Este Post foi transferido para data posterior por questões técnicas.


 
<$Comentários$>:
Será um 'destino marcado' nosso?
«Pela segunda vez Portugal afastou os Espanhóis»...agora, invadem-nos doutra forma, comercialmente/financeiramente e não conseguimos fazer nada contra isso.


Mas gostei muito de relembrar a História com este post ;-)
Bom Feriado!
 
Já tenho ouvido esta História contada de forma diferente.
 
Eu tenho 'lá' outro tipo de Restauração...Eheheheheh!




ps- Não podemos ver a imagem ampliada pq tem no nome, uma cedilha e um til de restauração. Se mudar o nome para 'restauracao' já não dá erro o link ;-)
(aprendi isso ontem com as minhas imagens no bloguito...)
 
Passei para ver o blogue, apreciar os artigos, admirar o tema actual, e o resultado é interessante, como sempre. Presentemente o patriotismo enferma, decai e resvala para a indiferença, porquanto 28% dos portugueses aceitariam e desejam uma fusão com a Espanha. Antigamente no Minho dizia-se que de «Espanha nem bom tempo, nem bom casamento», mas pelos vistos hoje já não será assim. Óptimo fim-de-semana.
 
Eu sou a favor da unificacao da "Iberia" se a lingua oficial for o portugues, se a capital for na Guarda e se o rei pertencer a Casa de Braganca!!!

Bom fim de semana.
 
Abordei o mesmo tema e até deixei um link para este reavivar da memória histórica :-)
 
Agora que voltamos a ser conquistados vamos agarrar outra vez em armas... para bater nos nossos reizinhos da politica.

Um abraço
 
Na minha modesta opinião, o D. Sebastião, que segundo a lenda ainda vai chegar numa manhã de nevoeiro, perdeu-se por não ter GPS no seu cavalo, e como também dizem os antigos – tinha umas certas tendências e uma atracão estranha para o próprio sexo – ao ver-se rodeado por sarracenos com tão grandes espadas, abdicou do trono por amor (o Guterres e o Durão foi pelo vil metal).
Isto tudo para dizer que se não fossem os amigos do Nodi tínhamos menos um feriado, alas pró Nodi! Viva o Nodi!

Um abraço
 
Venho aqui dar os Parabêns ao 'Pintor' :-D

..não o sabia com esses dotes!
Espero ver mais Obras aqui...ou ali...

Bjs
 
Passei para te dar um abraço.

Boa semana, e continua a instruir-nos!!
 
Se algo não devemos perder é o orgulho de ser Português. Foi esse o espírito que levou à Restauração.E deve ser esse orgulho que deve manter viva a chama da esperança, em dias melhores!
Viva Portugal!
 
Posso dar-te um beijo???
Aí Vai....Muuuuá!
BShell
 
Viva a Restauração!

A união europeia está a esbater muito as nacionalidades. Mas espírito da padeirinha de Aljusbarrota deverá prevalecer em cada um de nós. A bem da nossa identidade e língua, mesmo que esse e outros episódios história portuguesa possam ser uma grande tanga, devemos continuar a contá-los aos nossos filhos.

VIVA PORTUGAL
 
TSFM

Soube no Domusophia que andas a baldar-te na viola e a dedicar-te ao pincel...

Mais um coisa para conhecer (para além da zurpita da pipa de carvalho francês.

Um abraço
 
A 'parada' que descia a Av. na Liberdade no dia 1 de Dezembro, é uma das minhas memórias vivas da infância.

Acordava já ao som das marchas e hinos difundidos pelos altifalantes que invadiam a casa e aguardava impacientemente pelo defile que tinha o seu ponto alto junto à estátua da Praça dos Restauradores, mesmo em frente à minha janela.

Nos tempos descuidados da infância.

Um agradecimento especial por este post.

Deixo um abraço e um beijinho.
I.
 
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António Tavares. Arqueólogo e Gestor do Património Cultural. Actividade liberal, Arqueoheje e Município de Mangualde.


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