NEOARQUEO
01 maio 2009
  O Marco do Imperador Licínio ( II )


Após debate com João Ferreira e após a análise da malha viária apresentada pelo Professor Doutor João Inês Vaz, e convidado que fui pelo insigne Professor para que me debruçasse seriamente sobre este assunto, e disponibilizando-se para conselhos e outras achegas, o que agradeço imenso e dos quais ieri certamenmte precisar, neste momento creio que podemos acrescentar algo mais à primeira abordagem que fiz no post anterior.
Para este assunto há que ter em conta o marco Miliário de Espinho e o Marco miliário de Licínio. E a questão das milhas que durante algum tempo Fez “deslocar” os marcos para sítios bem longe dos sítios originais. Se bem que situações dessas aconteceram.
Mas, de facto, para o Professor Doutor João Vaz, e apoiando a tese do Professor Doutor Jorge de Alarcão, relativamente ao marco miliário encontrado em Espinho, que marca 7 milhas, estas não batem certo com a distância dali a Viseu. Assim, para Inês Vaz e Jorge Alarcão as milhas não seriam contadas a partir de Viseu, mas sim a partir do extremo da civitas.
Esse extremo, num dos lados é, no dizer destes ilustres autores, as Caldas da Felgueira, junto ao Mondego e que separava os diversos territórios da antiguidade, tal como hoje é fronteira de concelhos e distritos.
Ora, o Marco de Espinho, marcando as 7 milhas foi, portanto, encontrado in situ, pois essa distância é grosso modo a distância que separa as Caldas da Felgueira de Espinho.
O professor Inês Vaz afirma que esta via tinha,então, em termos de distâncias, início nas Caldas da Felgueira, subia a Folhadal, Nelas, Terras de Senhorim, passaria por Vila Nova de Espinho (sítio onde são abundantes os vestígios de ocupação romana e alto-medieval), Outeiro de Espinho, Espinho e Água Levada e por aí iria por Santa Luzia até Mangualde. O mesmo autor coloca também o Marco do Imperador Licínio nesta via. A nosso ver coloca-o muito bem, refutando por completo as teorias de que este pertenceria a Mangualde.
Nós acrescentamos: o Marco de Licínio haveria de estar na tal base ou pedestal (não temos neste momento as medidas de diâmetro do Marco para podermos chegar a essa conclusão) que referi no post anterior, precisamente na Calçada dos Barreiros, junto a Pinheiro de Baixo, e que "descobrimos" em 2006, tendo andado no terreno até hoje à procura de novos dados. E aqui, tendo em conta as milhas do Marco, que são 11, bate certo. A distância daqui até às Caldas da Felgueira é essa.
Ora, o Doutor João Inês Vaz diz que esta via, a VIII iria entroncar na IV, via directa que vinha de Viseu para Mangualde, fazendo o seguinte trajecto: Viseu, Viso, Carreira do Tiro, Fragosela, Fragosela de Baixo, Roda e Mangualde. A transposição do Rio far-se-ia em Fagilde. Este entroncamento seria feito em Mangualde.
Levanta-se então a nossa questão: e a travessia que se fazia por Alcafache?
Sabe-se que de Viseu vinha uma via que atravessaria o Dão em Alcafache.
Aqui nós avançamos com uma nova hipótese:
A via VIII, vinda de Caldas da Felgueira até Mangualde, teria que ter uma bifurcação que seguiria para Viseu, atravessando o Dão em Alcafache.
Assim, na nossa perspectiva, temos: Caldas da Felgueira, Folhadal, Nelas, Terras de Senhorim, Vila Nova de Espinho (local onde surgem inúmeros vestígios de forte ocupação romana e alto-medieval), Outeiro/Abadia de Espinho. Aqui O professor João Inês Vaz faz seguir a via em direcção a Mangualde com o seguinte trajecto: Água Levada, Santa Luzia, Mangualde.
Nós reiteramos essa linha pois é nela que encaixa a nova “Calçada dos Barreiros”, entre Pinheiro de Baixo e Santa Luzia. Porém, julgamos que a mesma via de Caldas da Felgueira, seguiria também e obrigatoriamente por Moimenta de Maceira Dão, Lobelhe do Mato, Cruzeiro da Lama e Alcafache até Viseu.
Temos ainda a convicção que é na zona de Moimenta do Dão/ Água Levada que se daria a bifurcação. Será provável ter existido uma ligação do Cruzeiro da Lama para Mangualde que, encurtando caminho e evitando a quem viesse de Viseu por Alcafache com destino a Mangualde, evitasse de ter que ir a Moimenta / Água Levada? Talvez, passando por Pedreles até Ançada, Mangualde; ou então que rumasse a Fornos do Dão, e metesse entre Tabosa e São Cosmado, Mangualde. Faltam-nos alguns dados para apoiar esta hipótese. É necessária uma melhor consulta do "Património Arqueológico de Mangualde" e de uma consequente batida de campo.
Defendemos também que a zona de Carreira do Tiro/Fragoselas (Viseu) terá funcionado como ponto de bifurcação do trânsito: teríamos então a via que daqui seguiria por Espadanal, Alcafache e entroncaria no Cruzeiro da Lama (Tibaldinho) seguindo para Caldas da Felgueira; e por outro lado teríamos uma via que na mesma bifurcação deixaria Carreira do Tiro/Fragosela e rumaria para Fagilde, fazendo aí a travessia do Dão e uma vez já em território de Mangualde passaria na Roda, que é a IV.
Pensamos ainda que em Mangualde a junção destas duas vias (a IV e a VIII) se faria na zona de Ançada / São Cosmado (relembro que foi em São Cosmado que se encontrou a placa honorífica que se refere ao Castellum Araocelensis (talvez a velha Mangualde romana), e é nessa zona que também existe um troço de calçada da Època Moderna e um Marco dessa mesma época.
Em conclusão:
1 -Temos a via VIII que se inicia nas Caldas da Felgueira, passa por Folhadal, Nelas, Senhorim, Vila Nova de Espinho, Outeiro e Abadia de Espinho, Água Levada, Pinheiro de Baixo / Santa Luzia (Calçada dos Barreiros e o muito provável sítio da colocação do marco de Licínio), Ançada/São Cosmado, Mangualde.
2- Temos a via IV que vem de Viseu, Viso, Carreira do Tiro, Fragoselas e vira a Fagilde, Roda, São Cosmado, Mangualde.
3- Temos a via que vem de Viseu, Viso, Carreira do Tiro, Fragoselas, Espadanal, Alcafache, Tibaldinho, Cruzeiro da Lama e segue para Lobelhe do Mato, Moimenta do Dão/ Agua Levada, Gandufe /Espinho e segue para as Caldas da Felgueira.
4-Temos a via que vem de Viseu, vai a Ranhados, Coimbrões, Espadanal, e Alcafache, subindo a Casal Sandinho e aí bifurcaria por um lado para Pedreles a Mangualde e por outro para Aldeia de Carvalho, Santar e Canas de Senhorim
5 – É na zona de Moimenta Dão / Água Levada que se dá a junção desta vias.
A nossa descoberta do troço da Calçada dos Barreiros veio ajudar a dar luz à colocação do Marco de Licínio, confirmando também a tese de João Inês Vaz.
Para já, e face aos elementos de que dispomos, defendemos que a via VIII, para além de se dirigir a Mangualde, seguiria para Viseu, via Alcafache.
As 11 milhas batem certo. Esta visão leva-nos a retirar a afirmação que as 11 Milhas do Marco de Licínio se mediriam dali até Viseu, fazendo o trajecto de ligação da via IV à VIII (na zona de Moimenta/Água Levada), pois, pese embora a distância seja a mesma, é descabido aceitar que essas milhas se contariam de Viseu a Mangualde fazendo esse trajecto. A prova de que assim não é esta na argumentação do Prof. João Vaz sobre o Marco da Abadia de Espinho.
À guisa de Conclusão: Dois Marcos Miliários e a descoberta do troço da Calçada dos Barreiros, a nosso ver, permitiu redefinir com mais rigor a malha viária romana que ligava Mangualde ao resto do Império Romano. Mas se isto é verdade sobre a malha principal, as complicações surgem relativamente às vias secundárias...
Publico o Mapa de Mangualde para uma melhor visão do assunto. A azul é o trajecto da via VIII, segundo João Inês Vaz e a Vermelho é o trajecto que nós propomos. A vermelho com dois traços na vertical em cada ponta é a possível via secundária que encurtaria caminho a quem por Alcafache demanadasse Mangualde, sem ter que ir a Moimenta /Água Levada.
Esta é a nossa visão sobre o traçado que nesta porção do território terá sido possível. Alguns aspectos ficam por defenir...nomeadamente o relevo do território que determinaria o traçado das vias. Ver as coisas no relevo e no território é bem diferente do que vê-lo num mapa plano...
Além disso a malha viária ao longo dos séculos teve que ser aumentada e cada vez mais intrincada...o que hoje pode complicar o seu entendimento.
Deixo algumas fotos da Via da època Moderna da zona que, vinda da Roda se encontra em São Cosamado, bem como do Marco de 1820 colocado na mesma via.
 
30 abril 2009
  O Marco Miliário do Imperador Licínio...luz sobre a via romana dos "Barreiros"



No penúltimo número do jornal de Mangualde “Notícias da Beira”, na minha Coluna “O Lugar da História” publiquei um artigo sobre a descoberta da Calçada dos Barreiros, troço de uma via romana na zona de Pinheiro de Baixo. Pois bem, este troço é inédito, aliás deixou se ser com a publicação neste jornal e com o processo de classificação que enviei ao ex-IPA, de Viseu.
Mas a Arqueologia é feita da junção de pequenos elementos, que muitas vezes teimam aparentemente em não encaixar uns nos outros. Mas da parte dos arqueólogos a paciência é uma virtude que se tem que ter em conta. O meu amigo e arqueómano João Ferreira, estudioso da viação romana do concelho de Mangualde, insiste que das vias romanas vindas de Viseu para Mangualde a principal entrada seria em Alcafache, galgando por aí o Dão. Sustenta ainda que essa via rumaria de forma a bifurcar, pelo menos, no Cruzeiro da Lama, dando origem a várias que seguiriam os diversos caminhos do Império.
Eu acrescento, suportado nas evidências por demais conhecidas e estudadas, que uma outra passagem poderia dar-se em Fagilde, e levaria o “trânsito” não só para Mangualde, passando na Roda, como para outras paragens do Norte.
Porém, o Cruzeiro da Lama (Tibaldinho) tem necessariamente um papel importante na distribuição da malha viária que atravessava Mangualde.
O Cruzeiro da Lama seria o nó a partir do qual as várias ramificações partiriam; não só para o actual concelho de Mangualde, como para o actual concelho de Nelas. Ressalve-se que, para além das várias teorias existentes e dadas como certas, para nós ainda é prematuro, dado os elementos que temos em posse, traçar o rumo das vias que até agora ainda não foram referidas, mas que estamos convictos que existiram….
Assim, como hipótese inicial, podemos apontar que uma das ramificações a partir do Cruzeiro da Lama seguiria, para já, dois possíveis trajectos:
1- Saindo do Cruzeiro da Lama passaria por Tibalde, passando entre Fornos do Dão, Vila Garcia e Tabosa dirigindo-se à Roda, indo dar directamente a Mangualde, na zona de São Cosmado - Ançada - (Em São Cosmado foi encontrada a Placa honorífica que fala do Castellum Araocelensis – que pode ser a Mangualde Romana - passando junto ao sítio onde mais tarde foi construida a Igreja Matriz de Mangualde).
2- Pela zona do Mosteirinho a via seguiria por Lobelhe do Mato, Moimenta do Dão, Gandufe e Espinho e continuandopara terras de Senhorim. Mas, na zona de Moimenta do Dão, na nossa opinião, a via bifurcaria em direcção a Mangualde, passando entre Água Levada, Pinheiro de Baixo, Santa Luzia / Santo Amaro, entroncando na zona de Ançada – São Cosmado e entrando em Mangualde. De referir que também nesta linha são abundantes os sítios arqueológicos romanos.
É esta “nova via” que até hoje não foi referida por nenhum historiador ou arqueólogo, mas que tem razão de ser, e que detectámos um troço excelentemente bem conservado e sobre o qual dei conta no Jornal e que publico aqui uma fotografia.
Desabafei, no debate de ideias, com João Ferreira, que estava a fazer falta um Marco Miliário naquela zona para se poder “alinhavar” uma tese.
Esse Marco apareceu…
Em consulta aos registos das batidas de campo já efectuadas no concelho, casualmente, pois estava a reunir elementos para uma nova publicação que em breve sairá, dei de caras com o Marco Miliário do Imperador Licínio.
No “Património Arqueológico do Concelho de Mangualde” Luís Filipe Gomes e Pedro Sobral de Carvalho afirmam que sempre se considerou Mangualde como o local de achado deste marco erigido no século IV d.C. pelo Imperador Licínio.
Segundo Marques Marcelino, eminente historiador e amigo de longa data, este monumento foi encontrado, aquando de uma lavra de terreno, tombado e parcialmente enterrado no sítio de Chãos, sensivelmente a 3 KM SO de Mangualde e a cerca de 2 KM O de Água Levada. Durante longos anos serviu de banco junto a uma casa em Santa Luzia…Actualmente encontra-se no acervo arqueológico do Museu de Grão Vasco. Este marco indica, na sua inscrição onze milhas e por isso os autores da referida obra mantêm a sua localização inicial em Mangualde, pois é a distância que separa Viseu de Mangualde.
No entanto, é também esta a distância que separa Viseu de Mangualde, seguindo o trajecto que acabámos de elaborar neste momento. O local original de colocação do Marco é de todo desconhecido (a certeza são as onze ou doze milhas, conforme a leitura epigráfica), porém este não terá reaparecido muito longe do local original de implantação, dada as suas dimensões e peso.
Ora, baseando-nos em Marques Marcelino, o aparecimento dá-se no sítio por ele já referido (e que não é Mangualde) e o seu último paradeiro é Santa Luzia (Cães de Baixo).
O troço da Calçada Romana dos Barreiros, junto a Pinheiro de Baixo fica precisamente no seguimento dessa linha viária, e o seguimento da via vai passar precisamente perto de Santa Luzia e Santo Amaro, tendo com destino a zona de Ançada / São Cosmado. Por outro lado as milhas (onze ou doze) inscritas no Marco coincide com a distância entre Viseu e o lajeado dos Barreiros. No final da curva, ao lado direito da rampa lajeada surge um monólito que parece um pedestal. Este Marco será muito provavelmente desta via, agora denominda por "Calçada dos Barreiros". Parece-nos, portanto, verosímil que esta via tenha inicio no cruzeiro da lama e em Moimenta do Dão bifurcaria à esquerda, largando a que seguia para Gandufe e Espinho em direcção ao Mondego por Senhorim.
Não esqueçamos que o Marco é do século IV d.C., uma altura em que a malha da viação romana estaria já certamente bem desenvolvida.
Estamos perante uma hipótese. Outros estudos estão a ser desenvolvidos no sentido da sua validação, ou não desta teoria. Para já gastas vão ficando as botas na batida de campo. É que a Arqueologia tem destas coisas…
No número do dia 20 de Maio este artigo será publicado no NB (Notícias da Beira).
 
16 dezembro 2006
  Marco Miliário de Vila Nova de Espinho

Os marcos miliários, implantados junto às estradas, serviam para informar quem passava das distâncias em milhas entre as localidades. Era desta forma, prática, que os Romanos tomavam conhecimento da distância que ainda tinham que percorrer para chegarem a determinado destino. São os precursores dos marcos kilométricos de agora. Porém, não podemos esquecer que vários desses marcos eram anepígrafos, isto é, sem inscrição, não cumprindo assim a sua função de informar o viajante. Já por diversas vezes neste espaço abordei alguns desses monumentos que existiram ao longo das jeiras romanas da antiga Lusitânia, concretamente nas terras que hoje fazem parte do concelho de Mangualde. Hoje apresento-vos um bloco granítico, cilíndrico, de diâmetro mais generoso na base que no cume. Tem no topo um bloco em forma de cruz com Cristo grosseiramente insculpido. Aparentemente o cilindro tratar-se-á de um marco miliário anepígrafo, dada a semelhança tipológica com outros e por se encontar numa localidade riquíssima em vestígios da ocupação romana: Vila Nova de Espinho. Porém, pode tão somente tratar-se do fuste que suporta Cristo crucificado. Fica a foto para apreciar...e comentar...
 
03 maio 2009
  Marco miliário de Licíno (versão 3)
Quanto mais se consulta os livros, quanto mais se localiza no maapa os vestígios aqrueológicos, mais se adensam as dúvidas.
Dormir, para mim sempre .teve o feito de no dia seguinte ver as coisas bastante mais claras.
Assim, e numa melhor leitura das propostas da viação romana já dadas como certas ou aceites, na nossa perspectiva há algumas incongruências:
1- a "calçada dos Barreiros não encaixa no trajecto da via VIII que o Professor João Inês Vaz faz vir de Bobadela - Caldas da Felgueira Mangualde. Porquê? Porque o Professor quando "chega a Outeiro de Espinho /Abadia de Espinho encaminha o traçado para Póvoa de Espinho e para Sta Luzia e Mangualde.
Ora, a Calçada dos Barreiros fica pertíssimo de Pinheiro de Baixo (concretamente entre esta aldeia e Santa Luzia).

Em conclusão: rem que via encaixa a "nova claçada", que nós sutentamos ser o sítio original do Marco de Licínio, pois existe lá aquilo que pde ter sido o seu pedestal?

Das duas uma ou o traçado "original" da VIA VIII está correcto e a "calçada dos Barreiros encaixa lá, mas temos que considerar uma sinuosidade mais ou menos acentuada para isso;

Ou então, teremos que proceder a uma revisão desta via VIII. É que o trajecto da Via VIII, conforme apresentado pelo insigne Professor é de facto um trajecto mais "curto" para chegar a Mangualde, mas deixa de fora pontos onde a presença romana se fez notar com alguma insistência ( conforme o "levantamento Arqueológico de mangualde" e conforme o "Património Arqueológico de Mangualde").

Assim e perante tantas dúvidas, impõe-se mais uma batida de campo, de mapa na mão, fazer o trajecto de João Inês Vaz e fazer o aque nos, a riori, apresentamos.

Nomapa que entretanto publiquei com os traçados, enquanto não apresento outro,quero desde járectificar que o Traçado Azul (correspondente à via VIII é em parte o traçado do Professor e a certa altura é o nosso. O do senhor Professor é mais curto.

Hoje não tenho tempo para publicar uma mapa com os traçados entretanto refeitosm nem tenho tempo pra lançar mais argumentação (a minha filha está em Coimbra a queimar as Fitas e eu, como bom pai, vou^juntra-me a esse momento.)

Mas segunda feira um novo post sairá já com mais pormenores que ajudem a uma melhor esclarecimanto.

Bom fim de semana a todos.
 
13 março 2006
  Abrunhosa-a-Velha na rota do Império Romano

Na localidade de Abrunhosa-a-Velha foram encontrados quatro marcos miliários, dois dos quais contendo ainda a sua epígrafe. Foi em 1938 que José Coelho fez referência a três, e mais tarde Moreira de Figueiredo refere também a existência de mais um. Como era tradição, foram conduzidos para o futuro Museu Etnológico da Beira, em Viseu. Fontes consultadas referem que apenas se conhece, na actualidade, o paradeiro de um deles, integrando a colecção epigráfica da Assembleia Distrital de Viseu (ADV), sob o nº de inventário 605.

Os marcos miliários, colunas normalmente cilíndricas em pedra, eram colocados ao longo das estradas com o intuito de informar as distâncias em milhas. Para além desta informação preciosa para o viajante, continham também, na maioria dos casos, o nome e títulos do imperador que procedia à construção ou reparação das vias.

O Marco Miliário que hoje ainda se encontra na ADV à data da sua descoberta estava a servir de ombreira num tosco portal do pátio de entrada da casa de José de Sousa, ao largo do Soalheiro (foto). É uma coluna cilíndrica com base cúbica, talhada no próprio monólito, medindo 184 cm de altura, 36 cm de diâmetro e o lado da base 52 cm. Tem a seguinte epígrafe:

[I]MP(erator) CA(esar) / DIVI F(ilius) / PARTHIC(us) / NERVA(e) NE(pos) / TRAIANV[S] / HADRIANO AVG(ustus) / POT(estas). NIA / [T]RIBVNIC(ia) / V(quintum) CO(n)S(ul).III(tertium) R[EFEC]IT / M(ília) XVIII (duodeviginti)

Tradução: O Imperador César Trajano Adriano Augusto, filho do divino Pártico, neto de Nerva, dotado do poder tribunício pela quinta vez, cônsul pela terceira, refez (esta via). Milha dezoito.

Ficámos a saber que o Imperador Trajano, por volta dos anos 120-121 mandou reparar esta via de circulação. A milha 18 indicaria, a distância onde este marco estaria colocado em relação a Viseu.

Um dos outros marcos miliários da Abrunhosa estava a servir de suporte a um alpendre, na casa de Flávia Pais de Figueiredo. Media 160 cm de altura e 50 cm de diâmetro, com base cúbica.

A sua inscrição apresentava algumas letras referindo o imperador Numeriano, segundo a leitura feita por Russell Cortez e por José Coelho, que exerceu o seu consulado entre os anos de 283-284. Isto pode indicar, então, que esta via sofreu nova reparação nesta altura.

O terceiro marco encontrava-se na época a servir de coluna ao fundo da escada da casa de João de Sousa, perto do largo do pelourinho. Media 190 cm de altura e 110 cm de diâmetro.

O quarto monumento, anepígrafo, media 200 cm de altura e 200cm de diâmetro.

Estes marcos pertenceriam à via que vinda de Braga (Bracara Augusta) e se dirigia à capital da Província da Lusitânia, Mérida (Emerita Augusta) passando por Viseu, Fagilde, Roda, Mangualde, Almeidinha, Cassurrães, Abrunhosa-a-Velha, Cabra, Belmonte e Idanha-a-Velha.

 
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